Categoria: Logoterapia

  • Uma reflexão sobre o AMOR à luz da Logoterapia

    Uma reflexão sobre o AMOR à luz da Logoterapia

    AMOR E LOGOTERAPIA

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    Uma reflexão sobre o AMOR à luz da Logoterapia

    Neste artigo, você encontrará uma reflexão sobre o amor, o amar e o não amar. A Logoterapia, proposta por Viktor Frankl, enxerga o amor como uma experiência espiritual que permite ao ser humano transcender a si mesmo. Exploraremos como essa visão influencia nossas relações, a importância do amor autêntico e os desafios de permanecer em vínculos que causam sofrimento. A partir dessa perspectiva, buscamos compreender como o amor pode ser vivido de forma plena e significativa.

    Letícia Santana

    01.Fev.2025 | Tempo de leitura: 7 minutos

    AMOR E LOGOTERAPIA

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    Uma reflexão sobre o AMOR à luz da Logoterapia

    Neste artigo, você encontrará uma reflexão sobre o amor, o amar e o não amar. A Logoterapia, proposta por Viktor Frankl, enxerga o amor como uma experiência espiritual que permite ao ser humano transcender a si mesmo. Exploraremos como essa visão influencia nossas relações, a importância do amor autêntico e os desafios de permanecer em vínculos que causam sofrimento. A partir dessa perspectiva, buscamos compreender como o amor pode ser vivido de forma plena e significativa.

    Letícia Santana

    01.Fev.2025 | Tempo de leitura: 7 minutos

    O Amor

    Sobre o amor, Frankl diz no seu livro Fundamentos Antropológicos da Logoterapia que o amor não cabe no reducionismo proposto em algumas escolas da psicologia. Ele não se basta na definição de ser meramente uma sublimação, apenas instinto sexual ou apenas uma emoção com impulsos biológicos que o ser humano experimenta, mas ele traz o conceito de que o amor é uma realidade espiritual, sentida em seu espírito. Quem ama é capaz de acessar a dimensão mais profunda e sair de si mesmo, caminhando em direção ao outro.

     

    O Amar

    A atitude de amar, em Frankl, acontece no movimento de sair de si e entregar ao outro o seu amor, olhar para o outro como seu ponto de deposito de amor. O movimento aqui acontece em uma dimensão espiritual, em uma dimensão mais profunda.

    Quando se ama, contribui-se para a transformação do outro. É por meio do amor que a pessoa que ama consegue ver no ser amado o que está potencialmente contido nele, o que ainda não está aparente mas que deveria ser realizado ( Frankl, 2020).

    Quem ama, por meio de seu olhar dirigido às potencialidades da outra pessoa, traz à luz o que é irrepetível e único no ser amado, para que ambos construam o relacionamento saudável que querem e precisam ter. A pessoa amada é amada pelo que ela é e não pelo que ela possui ou pode entregar a quem ama.

     

    O não amar

    Quando apesar do amor entregue ao outro a relação não consegue mais sustentar-se é preciso coragem. Coragem para se olhar e ver o que está em suas mãos, mas também para olhar e aceitar o que você não pode controlar e que só cabe ao outro realizar.

    Se mesmo depois de diversas tentativas de amar o objetivo na relação não for alcançado há um ponto a se pensar.

    Como propõe Frankl, se a situação não mudar, mude você. E você só muda a si mesmo se perceber que vale a pena este trabalho.

    Manter-se em uma relação que cause sofrimento profundo e que acontece devido às ações do outro e ele não se propõe a amar de volta por motivos que não se sustentam, pois são passíveis de mudança, o sofrimento por isso torna-se evitável.

    Viktor Frankl, sobrevivente do Holocausto

    “O que quero dizer não é absolutamente que o sofrimento é necessário, mas que o SENTIDO É POSSÍVEL APESAR DO SOFRIMENTO, CONTANTO QUE ESSE SOFRIMENTO SEJA INEVITÁVEL, que não possa ser eliminado sua causa, quer biológica, psicológica ou social. UM SOFRIMENTO DESNECESSÁRIO REDUNDARIA EM MASOQUISMO E NÃO EM HEROISMO.”

    A presença ignorada de Deus – p. 104

    Quando o sofrimento é evitável e passível de ser cortado pela raiz não pense que você é obrigado a enfrentá-lo para achar sentido, se obrigar a ficar onde causa dor sendo que você tem um modo de sair é masoquismo. 

    Aqui ressalto os conceitos de que um sofrimento evitável é aquele em que não há uma causa imutável biológica, psicológica ou social. Já o sofrimento inevitável é aquele em que uma causa imutável e mesmo com essa impossibilidade de fugir dele tem como encontrar sentido para viver ele (o sofrimento).

    Não é a qualquer custo que se vive um sofrimento, e digo isso porque há situações em que viver o sofrimento evitável é o único modo que a pessoa sabe viver – e reconhecer isso requer coragem de se aceitar quem é e de dar um sentido diferente a esta relação.

    O resquício da história que se foi.

    Às vezes você não quer se curar porque a dor – o sofrimento- é o único elo que mantém sua união ao que você perdeu.  Você vive prolongando o sofrimento, ficando preso a certas situações mesmo sabendo que quando tomar consciência a situação mudará porque você já sabe que precisa acabar, entretanto não está preparado para acabar tudo de uma vez. Está sempre tentando reviver, na esperança de que dessa vez vai dar certo, como se dependesse exclusivamente do seu foco para mudar tudo.

    O desejo de alcançar a concretização daquele relacionamento te faz suportar a dor – o sofrimento, e você vai cada vez mais se afundando neste poço profundo por querer viver o que idealizou.

    Não deixe o sofrimento evitável ser o que te mantém onde você está. Você precisa estar ali por outros motivos. O sofrimento quando evitável deve servir como motivador de mudança e não de permanecer. 

    Cuidado ao abrir a possibilidade de tornar o sofrimento evitável, ou até mesmo buscar viver o sofrimento inevitável, por tornar o sofrimento, seja ele qual for, como seu padrão de relacionamento. Ou seja, pensar que amar é sofrer mesmo e que você precisa sofrer para amar e ser amado.

    Há situações que chegam ao fim e os envolvidos encontram uma maneira de viverem suas histórias baseadas em outro sentido.

    O amor, o amar e o não amar não cabem somente em uma relação amorosa de um casal, mas também nas relações familiares e sociais. Toda a relação precisa ser construída e embasada em um sentido.

    Referências Bibliográficas

    • FRANKL, Viktor. Em busca de um sentido: um psicólogo no campo de concentração. Tradução de Vera L. Ribeiro. 16. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2020.

    • FRANKL, Viktor. Fundamentos Antropológicos da Logoterapia. Tradução de Rejane Cristina Alves e Manuela Calvo. 2. ed. São Paulo: Leya, 2021.

    • FRANKL, Viktor. A presença ignorada de Deus: O sentido da vida e o sofrimento. Tradução de Ana Carolina Alho. São Paulo: Edições Loyola, 2020.

    • BECK, Aaron T. Cognitive Therapy and the Emotional Disorders. New York: International Universities Press, 1976.

    • Yalom, Irvin D. Existential Psychotherapy. New York: Basic Books, 1980.

    • JUNG, Carl G. Psychological Aspects of the Self. In: The Collected Works of C.G. Jung. Princeton University Press, 1971.

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  • Sexualidade, Sexo e Logoterapia: Encontre o Verdadeiro Sentido Além do Prazer

    Sexualidade, Sexo e Logoterapia: Encontre o Verdadeiro Sentido Além do Prazer

    LOGOTERAPIA E SEXUALIDADE

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    Sexualidade, Sexo e Logoterapia: Encontre o Verdadeiro Sentido Além do Prazer

    A sexualidade é um assunto abrangente, muito além do erótico. Na sexualidade fala-se sobre o corpo, sua relação com ele, suas percepções sobre o outro e si mesmo no que tange seu corpo físico e como usá-lo. Veremos aqui, brevemente, como a Logoterapia aborda esse tema.

    Letícia Santana

    01.Fev.2025 | Tempo de leitura: 7 minutos

    LOGOTERAPIA E SEXUALIDADE

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    Sexualidade, Sexo e Logoterapia: Encontre o Verdadeiro Sentido Além do Prazer

    A sexualidade é um assunto abrangente, muito além do erótico. Na sexualidade fala-se sobre o corpo, sua relação com ele, suas percepções sobre o outro e si mesmo no que tange seu corpo físico e como usá-lo. Veremos aqui, brevemente, como a Logoterapia aborda esse tema.

    Letícia Santana

    01.Fev.2025 | Tempo de leitura: 7 minutos

    Dividindo o tema da sexualidade vemos como o estudo do corpo e de seus significados tem sido banalizado e cheio de conotações ideológicas. Ensinar a uma criança sobre seu corpo, sobre a proteção ao seu corpo e sua posição diante do mundo tem sido uma tarefa desafiadora no sentido de trazer o conhecimento sem uma conotação erotizada, mesmo sendo possível educar e aprender sobre sexualidade para além do erótico.

    Nos atendo a essa questão erótica vemos que a Logoterapia traz a sexualidade como saudável quando ela tem um sentido autotranscendente, para além do indivíduo, dentro de uma relação amorosa com propósito e sentido, sempre lembrando sobre a  autorresponsabilidade nas escolhas e na colheita das consequências.

    Vamos pensar na teoria mais lembrada quando se fala em sexualidade, a Psicanálise. Nela, de forma bem sucinta, ve-se a sexualidade como uma das pulsões, como uma parte do ser humano que exige respostas aos seus impulsos e desejos, sendo essa uma das esferas da vida que determinam o seu modo de viver.

     Já a Logoterapia trás as posições da psicanálise com ressalvas, há críticas a várias percepções, mas há também concordância. Frankl não nega essa e outras escolas da psicologia, mas traz ao centro da questão que o ser humano é livre para escolher como reagir às circunstâncias e tomar para si a responsabilidade dos seus atos e não meramente determinado a ser quem se é por seu Id (inconsciente).

    O ser humano não é livre de condicionamentos, sejam   eles   de   natureza   biológica, psicológica ou sociológica. Mas, ele é, e sempre permanece, livre   para   tomar  uma   posição   diante   de   tais condicionamentos; ele    sempre conserva sua liberdade para escolher sua atitude perante esses condicionamentos, O homem é livre para elevar-se sobre o plano dos determinantes  somáticos  e psíquicos de sua existência. (Frankl, 2020, p. 23)

    Dentro da sexualidade temos o tema da orientação sexual, um assunto atual e bastante discutido, sendo a visão de Frankl,  inspirada em Freud, e em seu professor Oswald Schwarz, escritor sobre o tema, de  que a orientação sexual é uma tonalidade pessoal da sexualidade e não uma patologia a ser curada. Ou seja, quando falamos da sexualidade voltada ao sexual individual encontramos uma visão coesa e profunda, não determinando “a” ou “b” sobre a pessoa somente sob um ponto de vista de uma parte de quem se é.

    Hoje há uma inflação sexual, ou seja, hiper sexualização das pessoas e das coisas, vivências de uma sexualidade erótica irresponsável, usada como meio, uma sexualidade desumanizada, sem sentido de porquê para além do desejo.

    Se vê o resultado de uma vida cheia de “encontros casuais” em consultórios e rodas de conversas despretensiosas, o quanto essa objetificação do ser e desumanização da sexualidade, que a princípio foi usado como base para uma liberdade sexual, tem trazido prejuízos sociais individuais e coletivos aos praticantes deste estilo de vida.

    O convite da Logoterapia é para que você se comprometa com quem é, com seu valor, com seus valores e olhe para si como alguém inteiro e não um ser objetificado, sem sentido e vazio que busca encontrar exclusivamente no prazer sexual o seu sentido de vida.

    Referências Bibliográficas

    • NERY, Alberto. Qual a visão de Viktor Frankl e a Logoterapia, sobre a sexualidade?. YouTube, 05 jan. 2021. 39 min 17 s. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jafgJsbG1ss. Acesso em: 16 jan. 2025.
    • FRANKL, Viktor. A psicoterapia na prática: Uma interação casuística para médicos. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2021. p. 142-161. v. 1. ISBN 9788532662606.
    • A Sexualidade à luz da Logoterapia: uma proposta para a vida matrimonial. Educafoco: Revista Eletrônica Interdisciplinar, São Paulo, v. 2, n. 5, p. 1-10, jan./dez. 2024.
    • FRANKL, Viktor. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. 42. ed. Petrópolis: Vozes, 2020.
    • FRANKL, Viktor. Psicoterapia e sentido da vida. 4. ed. São Paulo: Quadrante, 2017.
    • SCHWARZ, Oswald. A sexualidade humana: entre a psicanálise e a Logoterapia. 2. ed. São Paulo: Editora Cultura, 2019.

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  • Disciplina e Correção Moral: Um Caminho para a Restauração, Não para a Punição

    Disciplina e Correção Moral: Um Caminho para a Restauração, Não para a Punição

    LOGOTERAPIA E FAMÍLIA

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    Disciplina e Correção Moral: Um Caminho para a Restauração, Não para a Punição

    Neste artigo vamos conversar sobre a intenção que há ao se  trabalhar a disciplina em alguém, pensando nela como um caminho para o ajuste da conduta de uma pessoa para atender a  um conjunto de regras éticas a fim de se  atingir um objetivo predefinido e fazer isso como meio de restauração e não como uma punição.

    Letícia Santana

    28.Jan.2025 | Tempo de leitura: 7 minutos

    LOGOTERAPIA E FAMÍLIA

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    Disciplina e Correção Moral: Um Caminho para a Restauração, Não para a Punição

    Neste artigo vamos conversar sobre a intenção que há ao se  trabalhar a disciplina em alguém, pensando nela como um caminho para o ajuste da conduta de uma pessoa para atender a  um conjunto de regras éticas a fim de se  atingir um objetivo predefinido e fazer isso como meio de restauração e não como uma punição.

    Letícia Santana

    28.Jan.2025 | Tempo de leitura: 7 minutos

    Quando tratamos sobre a disciplina usada na correção moral de alguém entramos em um tema permeado de opiniões distintas e conceitos diferentes que se alternam conforme a ótica do interlocutor. Aqui falaremos dela como uma oportunidade de ser útil ao crescimento de outra pessoa.

    A palavra disciplina se originou a partir do latim “disciplina, ae”, que quer dizer “educação que um discípulo recebia de seu mestre” ou “obediência às regras e a seus superiores”.

    Parafraseando um Teólogo e professor de Filosofia em uma exposição em que ele falou sobre a essência do período disciplinar na vida de uma pessoa, “A disciplina vem com o propósito de restaurar o que se foi perdido e não como punição para afastar a pessoa.” Rev. Diego Tescarollo.

    Com esta interpretação e partindo deste olhar de que a disciplina vem como uma ação divina e também humana para restabelecer um relacionamento, podemos pensar no quanto o homem foi moldado a olhar para este assunto com medo e pessimismo quanto a esta aplicação na vida.

    Quando olhamos o que Frankl traz sobre o sofrimento, com a proposta de encontrar no sofrimento uma oportunidade para crescimento, uma oportunidade de autotranscender, e que essa oportunidade só surgiu por causa daquele sofrimento, naquele momento, logo podemos refletir sobre como a disciplina pode ser aplicada.

    A disciplina corretiva pode ser um olhar otimista sobre uma situação pessimista.

    Aquela situação que causou sofrimento e precisa que haja a disciplina corretiva em seus autores quando vista como potencial de transformação muda a forma como direcionamos o curso daquela situação a fim de resolver o conflito causado por ela e não simplesmente em atacar a pessoa que está envolvida na situação e despejar sobre ela a nossa frustração ou vingança.

    Quando um filho – uma criança ou um adolescente – é indisciplinado com as regras familiares e toma uma decisão diferente da proposta por seus pais ao invés de atacar de forma violenta e improdutiva aquela ação pode-se propor usá-la como meio de transformação.

    Sabe-se, por meio da Neurociência, que até certo grau de maturidade o desenvolvimento psíquico da criança ou adolescente está testando como viver neste mundo, quais são seus limites e, dentro desta perspectiva, há no indisciplinado a necessidade de que seus tutores intervenham e ali ajam trazendo conhecimento e condução da melhor forma de responder àquela situação.

    Assim como um cônjuge que por amor, age com intuito de restaurar ao admoestar ao outro. Essa admoestação é uma disciplina corretiva, que conduz o outro a crescer e agir de forma mais adequada às situações.

    Não há aqui a ligação de disciplina com violência e ressalto que a disciplina corretiva com base na admoestação entre um casal não é igual a disciplina de um pai para com seu filho. Cada relação precisa de uma ação específica para ela.

    Dito isso, levanta-se uma grande questão, quão preparados estamos para lidar com situações fora do nosso controle e expectativa? Quão fora de nós mesmos e longe do olhar de que tudo tem que corresponder às nossas expectativas nós estamos? Não podemos esquecer que há um limite, existe o certo e o errado, o que é aceito ou não moralmente como resposta a uma situação, mas dentro disso, como lidamos? Como encaramos que estamos atrás é de restauração e não de punição, ou será que na verdade buscamos a vingança?

    A autoreflexão aqui é; Quanto em nós está preparado para se doar, a ponto de sobrepor a oportunidade de servir ao outro (ensinando, orientando e caminhando junto) a nossa necessidade de expressar nossa frustração ou decepção.

    Quando entendemos o que Frankl traz sobre o conceito de autotranscendência, do serviço ao próximo, e o quanto viver isso trás vida, renovo e subsídio para enfrentá – la, reforçamos a perspectiva sobre como aplicar a disciplina corretiva – com base na admoestação- em nossas vidas e para com os que vivem conosco.

    Dar sentido ao novo, a nova oportunidade de se relacionar, de ensinar e de aprender é a chave para conseguir olhar a disciplina corretiva como uma oportunidade de restauração e não como uma vingança.

    Quando lidamos com o outro muito se fala sobre nós. O quanto você tem dito sobre você?

    Referências Bibliográficas

    • CIBERDÚVIDAS DA LÍNGUA PORTUGUESA. A origem das palavras conselho e disciplina. Disponível em: https://ciberduvidas.iscte-iul.pt. Acesso em: 1 fev. 2025.
    • ARLETE, Profa. [Título do artigo não informado]. Disponível em: https://educapes.capes.gov.br. Acesso em: 1 fev. 2025.
    • PSICO.ONLINE. Disciplina não é sobre a perfeição. Disponível em: https://psico.online. Acesso em: 1 fev. 2025.
    • FRANKL, Viktor Emil. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. 42. ed. Petrópolis: Vozes, 2020.

      FRANKL, Viktor Emil. Psicoterapia e sentido da vida. 4. ed. São Paulo: Quadrante, 2017.

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  • Felicidade e Propósito: Um Caminho de Sentido e Plenitude

    Felicidade e Propósito: Um Caminho de Sentido e Plenitude

    PSICOLGIA E LOGOTERAPIA

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    Felicidade e Propósito: Um Caminho de Sentido e Plenitude

    A felicidade é uma questão que atravessa tempos, culturas e gerações. Todo início de um novo ano costuma nos trazer reflexões sobre metas e objetivos. Contudo, ao olhar mais profundamente para essas aspirações, percebemos que a felicidade, muitas vezes, é mal compreendida. Não se trata de um destino, mas de um processo construído no dia a dia, guiado por valores e propósito.

    Letícia Santana

    28.Jan.2025 | Tempo de leitura: 7 minutos

    PSICOLOGIA E LOGOTERAPIA

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    Felicidade e Propósito: Um Caminho de Sentido e Plenitude

    A felicidade é uma questão que atravessa tempos, culturas e gerações. Todo início de um novo ano costuma nos trazer reflexões sobre metas e objetivos. Contudo, ao olhar mais profundamente para essas aspirações, percebemos que a felicidade, muitas vezes, é mal compreendida. Não se trata de um destino, mas de um processo construído no dia a dia, guiado por valores e propósito.

    Letícia Santana

    28.Jan.2025 | Tempo de leitura: 7 minutos

    Muitas pessoas associam felicidade à realização de grandes metas: um casamento, um emprego dos sonhos, ou uma conquista financeira. Porém, ao adotar essa visão, corremos o risco de transformar a felicidade em algo inalcançável. Viktor Frankl, criador da logoterapia, nos ensina que a busca por sentido na vida é o que nos conduz a uma existência plena. Para ele, a felicidade não é um objetivo final, mas um subproduto do engajamento com aquilo que dá sentido à nossa existência.

    Essa perspectiva se contrapõe à visão de felicidade oferecida pela sociedade contemporânea, descrita por Zygmunt Bauman como “líquida”, caracterizada por relações e objetivos efêmeros, moldados por uma lógica de consumo. Nesse contexto, a busca incessante por prazer imediato muitas vezes resulta em insatisfação e vazio existencial.

    O Propósito como Alicerce da Felicidade

    Quando refletimos sobre felicidade, uma questão essencial surge: o que nos motiva a buscar nossos objetivos? Muitas vezes, somos influenciados por padrões sociais, influenciadores digitais ou convenções culturais que nos direcionam a metas superficiais. A felicidade, no entanto, exige um olhar mais profundo. Ela é construída quando encontramos propósito no que fazemos, e esse propósito, por sua vez, está frequentemente vinculado ao serviço ao próximo e à transcendência pessoal.

    A transcendência, aqui, não se limita a questões espirituais. Trata-se de sair de si mesmo, de contribuir com o bem-estar alheio e de se sentir útil para a sociedade. Esse aspecto, frequentemente negligenciado, é fundamental para a felicidade duradoura.

    O Papel da Espiritualidade e da Consciência Coletiva

    Vivemos na geração mais livre e tecnologicamente avançada da história, mas, paradoxalmente, somos também a geração mais triste. O acesso a recursos como informação, entretenimento e consumo imediato não tem sido suficiente para preencher o vazio existencial que muitos experimentam. Estudos recentes têm demonstrado a importância da espiritualidade no bem-estar humano. Não se trata de religião em si, mas da capacidade de se conectar com algo maior, que transcenda a experiência individual.

    Por exemplo, pesquisas na área da oncologia mostram que a fé pode melhorar a eficácia dos tratamentos. Na física quântica, há explicações para como a vibração emocional afeta o corpo físico. A espiritualidade, portanto, não é um detalhe, mas um pilar essencial para uma vida plena.

    O Desafio do Equilíbrio e da Singularidade

    Outro equívoco comum é acreditar que a felicidade está atrelada a uma fórmula universal. Não existe uma receita que funcione para todos. Cada indivíduo tem uma trajetória única e, por isso, a felicidade deve ser construída com base na singularidade de cada um. Isso exige autoconhecimento, autorresponsabilidade e o reconhecimento de que o ser humano é um ser bio-psico-social-espiritual.

    Negligenciar qualquer um desses aspectos — como a saúde física, mental, social ou espiritual — pode comprometer a busca por felicidade. Por exemplo, problemas metabólicos ou deficiências vitamínicas podem afetar profundamente o estado emocional de uma pessoa, e esses fatores são frequentemente ignorados em prol de explicações exclusivamente psicológicas.

    A Felicidade no Processo, Não no Resultado

    A felicidade não é ausência de dor ou dificuldades. Pelo contrário, ela se manifesta na capacidade de enfrentar desafios com resiliência e significado. Enxergar propósito em momentos difíceis, como pagar um boleto da faculdade dos sonhos ou lidar com perdas, é uma forma de cultivar felicidade.

    Isso não significa simplesmente “ser grato”. Gratidão é importante, mas felicidade é mais profunda: é a habilidade de caminhar com a dor, de encontrar sentido no sofrimento e de seguir em frente com coragem.

    Falar de felicidade é falar de algo complexo e profundo, que vai muito além de metas e listas de realizações. É compreender que a felicidade é construída no cotidiano, por meio de escolhas conscientes, do engajamento com valores e propósitos e do equilíbrio entre os aspectos biológicos, psicológicos, sociais e espirituais.

    Ao final, a felicidade é uma jornada e não um destino. É um estado de espírito que nos acompanha à medida que buscamos viver com propósito, transcendência e conexão com o próximo. Como profissionais de saúde mental, nosso desejo é que todos possam encontrar esse equilíbrio e construir uma vida plena, mesmo em meio aos desafios inevitáveis da existência.

    Felicidade: O que a PSICOLOGIA diz sobre ser feliz?

    Referências Bibliográficas

    • FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido: Um psicólogo no campo de concentração. 34ª ed. São Paulo: Editora Vozes, 2020.
    • FRANKL, Viktor E. A vontade de sentido: Fundamentos e aplicações da logoterapia. São Paulo: Paulus, 2016.
    • BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
    • BAUMAN, Zygmunt. Vida líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.
    • KIM, Sharon S.; KOENIG, Harold G.; BUYNEVICH, Michael. “Religion, spirituality, and mental health: Current perspectives”. Psychiatry and Clinical Neurosciences, 2020.
    • KOENIG, Harold G. Medicina, religião e saúde: O encontro da ciência e da espiritualidade. Porto Alegre: L&PM, 2012.
    • LYUBOMIRSKY, Sonja. A ciência da felicidade: Como alcançar a realização pessoal através da ciência e da psicologia positiva. São Paulo: Campus, 2008.
    • SELIGMAN, Martin E. P. Florescer: Uma nova compreensão sobre a natureza da felicidade e do bem-estar. São Paulo: Objetiva, 2011.
    • ENGEL, George L. “The Need for a New Medical Model: A Challenge for Biomedicine”. Science, vol. 196, 1977, pp. 129-136.
    • VITOUSEK, Maren N.;
    • MURPHY, W. Jack. “The biological, psychological, and social dimensions of human health and illness: Integrating biopsychosocial approaches”. Annual Review of Psychology, 1997.
    • KAHNEMAN, Daniel. Rápido e devagar: Duas formas de pensar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.
    • NIEBUHR, Reinhold. A Serenidade para aceitar as coisas que não podemos mudar. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2015.

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  • Introdução à Logoterapia: A Busca pelo Sentido da Vida Segundo Viktor Frankl

    Introdução à Logoterapia: A Busca pelo Sentido da Vida Segundo Viktor Frankl

    LOGOTERAPIA

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    Introdução à Logoterapia: A Busca pelo Sentido da Vida Segundo Viktor Frankl

    Viktor Emil Frankl, um psiquiatra austríaco, foi o iniciador da Logoterapia, uma escola de psicologia com uma abordagem fenomenológica, existencial e humanista, que também é conhecida como Psicoterapia do Sentido da Vida ou ainda Terceira Escola Vienense de Psicoterapia.

    William Nascimento

    16.Jan.2025 | Tempo de leitura: 5 minutos

    LOGOTERAPIA

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    Introdução à Logoterapia: A Busca pelo Sentido da Vida Segundo Viktor Frankl

    Viktor Emil Frankl, um psiquiatra austríaco, foi o iniciador da Logoterapia, uma escola de psicologia com uma abordagem fenomenológica, existencial e humanista, que também é conhecida como Psicoterapia do Sentido da Vida ou ainda Terceira Escola Vienense de Psicoterapia.

    William Nascimento

    16.Jan.2025 | Tempo de leitura: 5 minutos

    A sua teoria foi desenvolvida a partir de suas experiências extremas como prisioneiro em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Esses eventos forneceram-lhe uma observação de que, mesmo naquelas condições extremas, um certo número de pessoas eram capazes de manter a capacidade de encontrar propósito em suas vidas, o que de acordo com Frankl teria sido fundamental para a sua sobrevivência. Esta vivência foi a base de sua obra mais importante, Em busca de Sentido, em que ele expõe os fundamentos de sua abordagem psicoterapêutica (Frankl, 2006). 

    No final da década de 1920, Oswald Schwarz escreveu no prefácio de um livro de Frankl que as ideias principais que levaram à criação da Logoterapia representariam uma contribuição à psicoterapia tal qual a Crítica da Razão Pura representava na filosofia. Diferentemente das outras correntes psicológicas, a Logoterapia não vê o ser humano na busca do prazer ou do poder, mas na busca pelo significado e pelo propósito da vida (Schwarz, 1928).

    Logoterapia e Crítica ao Psicologismo

    A Logoterapia de Frankl se distingue das demais abordagens psicológicas pelo fato de apresentar o sentido da vida como a motivação primária. Diferentemente de Freud e Adler que tiveram em conta a sexualidade e o prazer ou o poder e o domínio, respectivamente, como principais forças motivadoras, Frankl sustenta que essas perspectivas são insuficientes porque não consideram a necessidade humana de ter um significado que transcenda de uma satisfação de imediata e pura busca por prazer ou de simples satisfação imediatamente.

    Frankl também critica o psicologismo, que tende a reduzir o ser humano como um conjunto de necessidades biológicas e/ou psicossociais. Para Frankl, estas visões ignoram a capacidade do ser humano de transcender as circunstâncias e encontrar significado, em si, independentemente das circunstâncias externas. Enquanto Freud e Adler apresentaram a motivação humana como um movimento em direção a um equilíbrio interno ou a redução das tensões, Frankl retratou a busca do sentido como um movimento essencial, no qual o ser humano ou se conecta com algo ou alguém fora de si mesmo (Frankl, 2006).

    Para Frankl, o ser humano não é definido apenas por suas necessidades, mas pela sua capacidade de superá-las pela realização de uma causa ou amor pelo próximo. Esta autotranscendência é a fonte real do significado da existência humana. O indivíduo atinge sua realização plena quando se expõe a uma tarefa significativa ou ao amor de outra pessoa, apontando para uma dimensão da vida que é de outra natureza que a dinâmica do próprio indivíduo e suas demandas pessoais (Frankl, 2018). 

    Vikor Emil Frankl, psiquiatra austríaco sobrevivente do holocausto.

    A Natureza do Sentido e a Crítica ao Princípio do Prazer

    O conceito de que o prazer é a objetividade da vida humana é contestado por Frankl. Caso o prazer fosse o sentido da vida, o existir de si mesmo a tornaria sem valor. Caso o valor individual da vida fosse apenas o prazer; não importaria o que quiséssemos fazer, já que o prazer seria o mesmo, fosse qual fosse a ação, proveito ou valor da ação. Como bem nota Frankl, o prazer ao qual a concentração do homem tem por base a psicologia freudiana tende a igualar, indistintamente, todos os fins humanos, por isso, não podendo mais precisar uma direção, como tarefa ou limite no alcançar do sentido da vida.  (Frankl, 2006).

    Frankl critica a tese do prazer ser a motivação principal, colocando que a necessidade de sentido não diz respeito a uma necessidade homeostática de satisfazer tensões ou aproveitar prazer, mas o sentido é constitutivo, é um dado objetivo do mundo e não do sujeito que o experimenta. O sentido não pode ser fabricado ou produzido pelo homem; tem de ser descoberto ou desvelado à luz da realidade externa. Para Frankl, isto significa que a vida não se conforma automaticamente a um equilíbrio interno; longe de ser assim, ela é uma busca que não cessa de um sentido transeundo, que não reduza o limitado egoísmo e autocontentamento.

    A Busca pelo Sentido Fundamental para a Existência do Homem

    A Logoterapia constitui uma proposta singular na psicoterapia, uma vez que afirma que a verdadeira motivação do homem não se encontra no prazer ou na dominância sobre os outros, mas na constante busca pelo sentido e pelo propósito. Viktor Frankl, ao desenvolver a sua teoria, propõe uma nova forma de compreender o homem, não reduzindo-o às suas necessidades biológicas ou psicológicas, mas reconhecendo-o como um ser capaz de superar o imediato e de encontrar sentido para a sua vida, mesmo em meio às dificuldades que encontra pelo caminho.

     A crítica que Frankl dirige ao psicologismo e ao conceito homeostático das psicologias clássicas tem uma implicação para a compreensão da motivação humana, uma vez que sugere que o sentido da vida vai além das limitações do prazer e da auto-satisfação. A Logoterapia permanece, assim, uma importante contribuição à psicologia do tempo presente, apresentando uma concepção humanista e existencial do homem.

    Referências Bibliográficas

    • Frankl, V. E. (2006). Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Editora Vozes.

    • Frankl, V. E. (2018). A vontade de sentido: fundamentos e aplicações da logoterapia. Edição Vozes.

    • Schwarz, O. (1928). Prefácio ao livro de Frankl.

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  • Dependência Química e a Logoterapia

    Dependência Química e a Logoterapia

    DEPENDÊNCIA QUÍMICA

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    Dependência Química e a Logoterapia

    A logoterapia tem o propósito de auxiliar o homem na caminhada ao encontro do seu íntimo mais profundo; O sentido da vida. Esse olhar traz um tratamento singular para dependência química. Neste artigo veremos essa relação.

    Letícia Santana

    16.Jan.2025 | Tempo de leitura: 7 minutos

    DEPENDÊNCIA QUÍMICA

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    Dependência Química e a Logoterapia

    A logoterapia tem o propósito de auxiliar o homem na caminhada ao encontro do seu íntimo mais profundo; O sentido da vida. Esse olhar traz um tratamento singular para dependência química. Neste artigo veremos essa relação.

    Letícia Santana

    16.Jan.2025 | Tempo de leitura: 7 minutos

    A dependência química é reconhecida pela OMS como um problema crônico e progressivo na vida de uma pessoa e que tem tido uma enorme crescente nos últimos tempos.

    Várias abordagens podem ser realizadas a fim de resgatar o indivíduo da fase ativa da dependência, ou mesmo apoiá-lo em sua abstinência.

    Neste artigo falaremos da perspectiva da Logoterapia no tratamento desta doença que tem sido fonte de desesperança, vazio existencial e perda de sentido da vida.

    Começamos trazendo à luz o que é a dependência química e podemos dizer que se trata de um transtorno bioquímico e psicológico em que uma pessoa não consegue mais viver e encarar a vida cotidiana sem o uso de substâncias psicoativas. Toda vida social, intelectual e espiritual da pessoa é submetida a ação da droga no organismo. Quando essa situação, em grande ou pequena escala é presente na vida de alguém, enquadramos a pessoa como dependente químico.

    A dependência química tem sua fonte multifatorial e devemos levar em conta a cultura, a genética, as crenças e o momento sócio-histórico em que a pessoa e sua família estão inseridas.

    Vikor Emil Frankl, psiquiatra austríaco sobrevivente do holocausto.

    Dentro da Logoterapia construímos as âncoras em que a pessoa se alicerça para conseguir ter sentido em sua vida e buscar viver dentro de seus valores.

     O que acontece é que em diversos casos, para não dizer a maioria, os adictos (pessoas com dependência química) se entregam a doença ou iniciam-na baseado em uma fuga da realidade, onde não encontram mais o sentido de manterem-se sóbrios e buscarem uma vida cheia de significados bons.

    O cérebro do adicto é inundado por neurotransmissores que trabalham com a necessidade de prazer imediato e o cérebro já não consegue mais recorrer aos seus funcionamentos normais.  Você já se perguntou por que algumas pessoas experimentam a droga ou o álcool e não se tornam dependentes? A resposta para isso é multifatorial (tem vários fatores) e um deles é a hereditariedade genética, sendo simplista podemos dizer que uma pessoa que possua a sua genética tendenciosa ao vício, com apenas uma pequena quantidade da droga o gene é ativado e desencadeia a dependência química, enquanto outra pessoa que não possui essa carga genética não desenvolve essa dependência pela substância.

    Vale ressaltar que essa genética não é fatalista e nem uma condição determinante de modo de vida, não deve-se olhar para essa informação como uma resposta ao problema em si, já que há formas de não ativar esse gene no organismo (que é não consumir a substância que causa a dependência), mas deve-se olhar como uma informação que soma na construção de uma realidade de vida.

    Dentro da psique de um adicto (pessoa dependente de droga) lidamos com o vazio existencial e a falta de sentido. Como foi citado na revista Educafoco:  Vazio existencial é “um sentimento de inutilidade existencial extrema, caracterizado pelo fato de que, para a pessoa, a vida perde sua graça, seu sentido; este sofrimento produz angústia”. (GOMES, 1988, pg132).

    É um quadro intenso, pesado e que não há como caminhar só. Na Logoterapia buscamos levar o paciente de volta aos seus valores, encontrar seu sentido de vida, mostrando que mesmo em meio ao sofrimento há vida, há possibilidade de um resgate de si mesmo dentro das adversidades e que inclusive, por causa delas torna-se possível experimentar e experienciar situações que levam ao crescimento pessoal e amadurecimento.

    Isso não quer dizer que a pessoa deve ser autocentrada, até porque dentro da Logoterapia tem-se a visão de transcendência (sair de si para fora) ou seja, deve-se olhar para além de si mesmo e buscar  o que ainda está saudável no homem, sob a luz do conceito de que o sofrimento é parte da vida e não uma situação trágica particular.

    Para além de ferramentas e formas de modelar aquele comportamento, trabalhamos com a missão e a visão de resgatar os sentidos ou criá-los para que a pessoa possa se ver como um todo, relembrando suas potencialidades que a mantém viva e direcionando essas potencialidades como somatória de forças para levar o adicto a uma reconstrução de si mesmo.

    O processo de resgate de quem se é não é fácil e é permeado por construções e reconstruções sobre quem se é e só acontece mediante a uma decisão.

    Parafraseando Frankl (2020), podemos dizer que o homem é a somatória de suas decisões e entregar-se ao vazio existencial, ou ao fundo do poço (digamos assim) é uma decisão pessoal.

    A dependência química é uma condição, não uma determinação do modo de viver. Há formas de lidar com ela, de não viver dentro dela e é a isso que nos propomos a fazer. O Logoterapeuta busca ser o auxílio para o reencontro do sentido de ser quem se é e da vida em uma pessoa.

    Referências Bibliográficas

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  • Freud e Viktor Frankl: Ficção, Realidade e a Busca pelo Sentido

    Freud e Viktor Frankl: Ficção, Realidade e a Busca pelo Sentido

    LOGOTERAPIA E PSICANÁLISE

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    Freud e Viktor Frankl: Ficção, Realidade e a Busca pelo Sentido

    A figura de Sigmund Freud divide opiniões: enquanto muitos o consideram o pai da Psicanálise, outros o veem como um escritor de ficção mais que um cientista da psicologia. Mas qual a verdade por trás dessa afirmação? E o que Viktor Frankl, fundador da Logoterapia, tem a nos ensinar sobre esse debate?

    Harisson Santos

    28.Dez.2024 | Tempo de leitura: 7 minutos

    LOGOTERAPIA E PSICANÁLISE

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    Freud e Viktor Frankl: Ficção, Realidade e a Busca pelo Sentido

    A figura de Sigmund Freud divide opiniões: enquanto muitos o consideram o pai da Psicanálise, outros o veem como um escritor de ficção mais que um cientista da psicologia. Mas qual a verdade por trás dessa afirmação? E o que Viktor Frankl, fundador da Logoterapia, tem a nos ensinar sobre esse debate?

    Harisson Santos

    28.Dez.2024 | Tempo de leitura: 7 minutos

    Freud é amplamente reconhecido como o criador do setting terapêutico moderno, aquele encontro “um a um” entre terapeuta e paciente que constitui a base da psicoterapia atual. No entanto, sua inspiração veio de um campo inusitado: as confissões sacramentais do catolicismo. Assim como o penitente abre sua consciência ao padre, Freud adaptou essa dinâmica ao campo secular, criando um espaço onde o paciente pudesse explorar suas dores psíquicas.

    Apesar dessa contribuição inovadora, a psicanálise de Freud é marcada por influências filosóficas, especialmente de Friedrich Nietzsche. Muitos dos conceitos freudianos têm origem nas ideias do filósofo alemão, com Freud essencialmente “renomeando” temas filosóficos para encaixá-los em um modelo terapêutico. Essa abordagem gerou críticas, principalmente de seus próprios discípulos.

    Vikor Emil Frankl, psiquiatra austríaco sobrevivente do holocausto.

    Viktor Frankl, um dos mais destacados discípulos de Freud, seguiu um caminho próprio ao fundar a Logoterapia. Ao contrário de Freud, que focava na exploração do inconsciente e nos instintos, Frankl introduziu uma dimensão espiritual à psicologia. Ele rejeitava a visão determinista da psicanálise, que coloca o inconsciente como único regente das nossas ações, e argumentava que o ser humano é capaz de escolher e encontrar sentido mesmo em condições extremas.

    Essa perspectiva não surgiu apenas de reflexão teórica, mas também de experiências vividas. Enquanto Freud desenvolvia sua teoria nos sofás de pelúcia da era vitoriana, Frankl formulou a Logoterapia na brutal realidade dos campos de concentração nazistas. Ele observou que, mesmo nas piores circunstâncias, os seres humanos demonstravam uma capacidade singular de transcender suas situações e encontrar significado.

    Freud descrevia o homem como um ser dualista, composto por corpo e mente, com suas ações motivadas primariamente pelos instintos e desejos reprimidos. Frankl, por outro lado, defendia uma visão tridimensional: o ser humano é corpo, psique e espírito. Essa terceira dimensão é o que possibilita a autotranscendência — a capacidade de ir além de si mesmo e encontrar significado em relação aos outros e à vida.

    Para Freud, as necessidades básicas e o inconsciente suprimido eram o foco central. Em contraste, Frankl criticava essa abordagem, apontando que a teoria freudiana não capturava a complexidade da condição humana. Em seu livro “Em Busca de Sentido”, Frankl refuta a ideia de que situações extremas eliminam as diferenças individuais, uma visão defendida por Freud. Frankl observou, nos campos de concentração, que as experiências extremas revelavam tanto os “porcos” quanto os “santos” em cada ser humano, destacando a singularidade de cada indivíduo.

    Sigmund Freud, pai da psicanálise

    A Logoterapia se destaca por sua abordagem holística e humanista. Ela não só reconhece as emoções e instintos, mas também valoriza a dimensão espiritual, algo ignorado pela psicanálise freudiana. Essa é a base para uma terapia que não só explora os traumas do passado, mas também ajuda o indivíduo a encontrar um sentido para sua existência.

    Infelizmente, a Logoterapia ainda é pouco conhecida no Brasil, enquanto a Psicanálise continua a dominar o imaginário popular. A popularização da Logoterapia exige esforços para educar o público sobre seus benefícios e diferenças em relação à psicanálise. Mais do que nunca, é essencial oferecer uma psicologia que reconheça a totalidade do ser humano e que inspire esperança.

    Confira o vídeo completo: Logoterapia vs Psicanálise

    Referências Bibliográficas

    • Frankl, Viktor E. Em Busca de Sentido. Editora Vozes, 2008.

    • Freud, Sigmund. A Interpretação dos Sonhos. Companhia das Letras, 2019.

    • Nietzsche, Friedrich. Assim Falou Zaratustra. Editora Escala, 2012.

    • Santos, Harisson. “Freud e Frankl: Reflexões sobre Psicologia e Ficção.”

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  • Honra, Sofrimento e Sentido: A Jornada de Viktor Frankl nos Campos de Concentração

    Honra, Sofrimento e Sentido: A Jornada de Viktor Frankl nos Campos de Concentração

    LOGOTERAPIA

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    Honra, Sofrimento e Sentido: A Jornada de Viktor Frankl nos Campos de Concentração

    “Temo somente uma coisa: não ser digno do meu próprio tormento.” A frase de Dostoiévski resume bem a jornada de Viktor Frankl, psiquiatra e sobrevivente do Holocausto, cujos desafios e reflexões no campo de concentração nazista deram origem ao bestseller Em Busca de Sentido. Este artigo explora os aspectos centrais de sua história e os princípios da Logoterapia, uma abordagem que ressignificou a experiência humana ao confrontar o sofrimento com propósito.

    Harisson Santos

    28.Dez.2024 | Tempo de leitura: 5 minutos

    LOGOTERAPIA

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    Honra, Sofrimento e Sentido: A Jornada de Viktor Frankl nos Campos de Concentração

    “Temo somente uma coisa: não ser digno do meu próprio tormento.” A frase de Dostoiévski resume bem a jornada de Viktor Frankl, psiquiatra e sobrevivente do Holocausto, cujos desafios e reflexões no campo de concentração nazista deram origem ao bestseller Em Busca de Sentido. Este artigo explora os aspectos centrais de sua história e os princípios da Logoterapia, uma abordagem que ressignificou a experiência humana ao confrontar o sofrimento com propósito.

    Harisson Santos

    28.Dez.2024 | Tempo de leitura: 5 minutos

    Viktor Frankl era judeu, natural de Viena, e tinha a possibilidade de fugir para os Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, já que possuía um visto americano. No entanto, seus pais não tinham como escapar. Em um momento de indecisão, ele buscou orientação divina na Catedral de Santo Estevão, em Viena.

    Ao sair de lá, encontrou um pedaço de mármore entre os escombros de uma sinagoga destruída. Esse fragmento continha parte do Quarto Mandamento: “Honra teu pai e tua mãe para que teus dias se prolonguem na terra”. Sentindo que essa era a resposta divina, decidiu permanecer ao lado de sua família, mesmo sabendo que isso significava enfrentar o horror dos campos de concentração nazistas.

    Ao sair de lá, encontrou um pedaço de mármore entre os escombros de uma sinagoga destruída. Esse fragmento continha parte do Quarto Mandamento: “Honra teu pai e tua mãe para que teus dias se prolonguem na terra”. Sentindo que essa era a resposta divina, decidiu permanecer ao lado de sua família, mesmo sabendo que isso significava enfrentar o horror dos campos de concentração nazistas.

    Vikor Emil Frankl, psiquiatra austríaco sobrevivente do holocausto.

    Frankl fez uma promessa a si mesmo ao chegar no campo: “Aconteça o que acontecer, não iremos ao fio”. Essa expressão fazia referência ao suicídio, comumente praticado pelos prisioneiros ao se jogarem contra cercas eletrificadas.

    Sua determinação tornou-se um pilar de sua teoria: a liberdade de encontrar significado na vida, mesmo em situações extremas. Frankl enfatizava que a liberdade interior é inviolável e que, mesmo aprisionado, o ser humano pode escolher a atitude com que enfrenta o sofrimento

    Nos campos, Frankl e outros prisioneiros tiveram seus nomes substituídos por números; ele era o 119104. Todo status, roupas e pêlos corporais foram retirados, deixando apenas “a existência nua e crua”. Apesar de tudo, Frankl encontrava momentos de alegria: certa vez, os prisioneiros celebraram ao perceberem que caía água dos chuveiros em vez de ácido.

    A indiferença diante da morte tornou-se comum. Prisioneiros pegavam roupas e sapatos dos mortos, como uma forma de sobrevivência. Em uma dessas ocasiões, Frankl encontrou no bolso de um casaco uma frase de Santo Agostinho: “Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em Ti”. Essa ideia de busca constante por sentido sustentou sua resistência.

    Santo Agostinho de Hipona, séc IV

    Frankl observou que prisioneiros que conseguiam se conectar com valores transcendentes, como amor e fé, tinham mais chances de sobreviver. Ele próprio encontrava consolo em lembranças de sua esposa. “Sentia o toque de seus lábios e o perfume de sua pele”, escreveu.

    Essa “ancoragem” em valores permitia suportar o sofrimento. Quando um prisioneiro lhe perguntou se sobreviveriam, Frankl respondeu: “A pergunta correta não é essa. Pergunte: ‘Há sentido nesse sofrimento?’”. Para ele, o sentido dava à vida um motivo para continuar, mesmo nas piores condições.

    Frankl destacou que aqueles com vida interior rica eram mais resilientes. Ele chamava essa capacidade de “liberdade espiritual”, algo que nem mesmo o regime nazista podia tirar. Enquanto corpos eram aprisionados, mentes livres encontravam força na fé, na arte e nos valores pessoais.

    Mesmo após a libertação em 1945, os prisioneiros enfrentaram dificuldades. Frankl comparava isso à pressão que um mergulhador sente ao retornar à superfície. Ele mesmo enfrentou pensamentos suicidas ao saber que sua esposa, que estava grávida, havia morrido, assim como seus pais.

    Apesar disso, Frankl encontrou força em sua missão de ajudar outras pessoas a descobrir sentido em suas vidas, lançando Em Busca de Sentido poucos meses após sua libertação.

    Frankl defendeu que a liberdade verdadeira exige responsabilidade. Ele sugeriu a construção de uma “Estátua da Responsabilidade” na costa oposta à Estátua da Liberdade nos Estados Unidos, simbolizando que uma não existe sem a outra.

    Sua história não é apenas um relato de sobrevivência, mas uma inspiração para enfrentarmos os desafios da vida com coragem e significado. Afinal, como ele dizia, “A vida nunca deixa de ter significado, mesmo diante do sofrimento mais extremo.”

    Confira o vídeo completo sobre o livro “Em busca de sentido”

     

    Referências:
    Frankl, V. E. (2007). Em Busca de Sentido: Um Psicólogo no Campo de Concentração. São Paulo: Editora Vozes.
    Dostoiévski, F. (2001). Memórias do Subsolo. São Paulo: Editora 34.
    Agostinho, S. (1997). Confissões. Petrópolis: Vozes.

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  • O sentido da morte: um chamado para a vida

    O sentido da morte: um chamado para a vida

    LOGOTERAPIA E RELIGIÃO

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    O sentido da morte: um chamado para a vida

    A morte é uma certeza inescapável da condição humana. Embora muitas vezes tentemos evitá-la em nossos pensamentos cotidianos, refletir sobre sua inevitabilidade é essencial para vivermos uma vida mais plena e significativa. Como afirmou Viktor Frankl, “a morte é o que dá sentido à vida”.

    Mas por quê? Como a finitude pode nos ajudar a moldar nosso caminho e compreender o que realmente importa? Neste artigo, exploraremos essa reflexão à luz da Logoterapia e de práticas meditativas que nos conectam ao verdadeiro chamado da existência.

    Harisson Santos

    02.Nov.2024 | Tempo de leitura: 7 minutos

    LOGOTERAPIA E RELIGIÃO

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    O sentido da morte: um chamado para a vida

    A morte é uma certeza inescapável da condição humana. Embora muitas vezes tentemos evitá-la em nossos pensamentos cotidianos, refletir sobre sua inevitabilidade é essencial para vivermos uma vida mais plena e significativa. Como afirmou Viktor Frankl, “a morte é o que dá sentido à vida”.

    Mas por quê? Como a finitude pode nos ajudar a moldar nosso caminho e compreender o que realmente importa? Neste artigo, exploraremos essa reflexão à luz da Logoterapia e de práticas meditativas que nos conectam ao verdadeiro chamado da existência.

    Harisson Santos

    02.Nov.2024 | Tempo de leitura: 7 minutos

    Imagine que sua personalidade é como uma argila. Durante a vida, somos continuamente moldados pela água das experiências e escolhas. Quando essa água é retirada, a argila endurece, fixando-se na forma que lhe foi dada. Assim também é com a vida: o que construímos nela é o que permanecerá quando nosso tempo se encerrar.

    É crucial refletir: o que você está fazendo com o tempo que lhe foi dado? Essa questão ressoa em momentos profundos, como no seriado Peaky Blinders, quando Tom Shelby, ao ser poupado da morte, é confrontado pela pergunta de sua tia: “O que você está fazendo com o tempo a mais que lhe foi concedido?”.

    Talvez esta pergunta seja uma das mais importantes para cada um de nós: estamos utilizando nosso tempo para construir algo que realmente importe? Ou estamos perdendo-o com vaidades e preocupações superficiais?

    São Jerônimo, doutor da igreja católica

    Os santos como São Jerônimo e São João da Cruz mantinham uma caveira em suas escrivaninhas como lembrança constante da morte. Essa prática, conhecida como memento mori (“lembre-se de que você vai morrer”), servia para lembrar-lhes que a vida terrena é passageira e que o que realmente importa é o legado deixado.

    Santa Afonso Maria de Ligório também aborda esse tema em seu livro Preparação para a Morte. Ele nos lembra que, no fim, os bens materiais não têm valor: “as roupas que vestimos se tornarão alimento para os vermes”. Isso nos desafia a refletir sobre como estamos usando nossos recursos e talentos. Estamos investindo em algo que transcende nossa própria existência? Ou estamos apegados ao efêmera?

    Uma prática valiosa para nos reconectar com o que realmente importa é o exercício do necrológio. Consiste em imaginar seu próprio funeral: quem estaria presente? O que diriam sobre você? Qual seria o legado que você deixou para aqueles ao seu redor?

    Escreva em terceira pessoa o discurso que gostaria que fosse dito sobre sua vida. Por exemplo: “Harisson morreu aos 80 anos. Ele foi um excelente psicólogo, um pai dedicado, um amigo leal, e ajudou centenas de pessoas a encontrarem sentido em suas vidas.” Esse exercício é mais do que um simples devaneio; é uma forma de conscientizar-se sobre o que você é hoje e sobre quem deseja ser no futuro.

    Ao fazer isso, você confronta diretamente suas escolhas e objetivos, questionando-se: “O que preciso conquistar antes de minha morte? E por quê?” Não se trata apenas de acumular bens ou realizações materiais, mas de construir um legado que impacte positivamente a vida de outros.

    Olavo de Carvalho, filósofo brasileiro

    Viktor Frankl, em sua obra Em Busca de Sentido, destaca que o sofrimento surge quando a vida carece de propósito. Encontrar sentido é essencial para viver com plenitude. Mas como identificar esse sentido? Uma forma é observar nossas inclinações naturais, tanto boas quanto ruins. Muitas vezes, talentos mal direcionados podem ser redescobertos e usados para propósitos maiores.

    Por exemplo, uma pessoa com habilidade de comunicação pode usá-la para inspirar e educar, em vez de propagar críticas destrutivas. Identificar esses talentos e alinhá-los com algo maior nos ajuda a direcionar nossa vida para um caminho significativo.

    A morte não é apenas o fim; é um lembrete constante de que nossa vida tem prazo. Esse lembrete nos convoca a viver com intenção, a transformar cada dia em uma oportunidade de criar algo significativo e duradouro.

    Portanto, reserve um momento para refletir sobre sua própria vida. Pergunte-se: estou vivendo de forma que meu legado refletirá o que realmente importa para mim? Se não, o que posso mudar a partir de agora?

    Convido você a realizar o exercício do necrológio e a compartilhar sua experiência. O que você descobriu sobre si mesmo? Como isso impactou sua visão de futuro? Vamos construir juntos vidas mais plenas e cheias de significado.

    O Sentido da Morte: Reflexões profundas de Viktor Frankl e Santos Católicos

    Referências

    • Frankl, V. E. (2008). Em busca de sentido. Editora Vozes.

    • Ligório, A. M. (2019). Preparação para a morte. Editora Cultor de Livros.

    • Peaky Blinders. (2013–2022). BBC Studios.

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  • Psicologia e Religião: Duas faces de uma mesma verdade

    Psicologia e Religião: Duas faces de uma mesma verdade

    PSICOLOGIA E RELIGÃO

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    Psicologia e Religião: Duas faces de uma mesma verdade

    A discussão sobre o que significa ser humano tem atravessado séculos e sido abordada por diferentes disciplinas, da filosofia à religião e da psicologia à ciência. Sigmund Freud, pai da psicanálise, certa vez afirmou que “a espécie mais grave de neurótico é o santo”. Em contraste, o psicólogo católico Rudolf Allers declarou que “só o santo está livre da neurose”.

    Essas visões paradoxais abrem caminho para uma reflexão mais profunda: como a psicologia e a religião dialogam para entender o ser humano em sua totalidade? Neste artigo, exploraremos conceitos fundamentais de ambas as áreas e como se complementam na busca pelo sentido da existência.

    Harisson Santos

    28.Set.2023 | Tempo de leitura: 7 minutos

    LOGOTERAPIA E PSICANÁLISE

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    Psicologia e Religião: Duas faces de uma mesma verdade

    A discussão sobre o que significa ser humano tem atravessado séculos e sido abordada por diferentes disciplinas, da filosofia à religião e da psicologia à ciência. Sigmund Freud, pai da psicanálise, certa vez afirmou que “a espécie mais grave de neurótico é o santo”. Em contraste, o psicólogo católico Rudolf Allers declarou que “só o santo está livre da neurose”.

    Essas visões paradoxais abrem caminho para uma reflexão mais profunda: como a psicologia e a religião dialogam para entender o ser humano em sua totalidade? Neste artigo, exploraremos conceitos fundamentais de ambas as áreas e como se complementam na busca pelo sentido da existência.

    Harisson Santos

    28.Set.2023 | Tempo de leitura: 7 minutos

    A palavra “psicologia” deriva do grego: psique, que significa “alma” ou “vida”, e logos, que significa “sentido” ou “verbo”. Assim, psicologia pode ser compreendida como a descrição da vida ou, em um sentido mais amplo, a busca pelo sentido da vida.

    Por outro lado, a religião, do latim religare, significa “religar”. Trata-se do elo que reconecta o ser humano ao sentido último da existência: Deus. Nesse contexto, psicologia e religião não se excluem, mas se complementam, oferecendo uma visão holística sobre quem somos.

    Quatro Conceitos Fundamentais

    Para entender melhor essa integração, é essencial conhecer quatro conceitos fundamentais da psicologia: psique, ego, consciência e intuição.

    Psique

    A psique é a substância essencial do ser humano, imutável e intrinsecamente boa. Analogamente, o frio é a ausência de calor, e o mal é a ausência do bem. Da mesma forma, a psique não é alterada, mesmo que o ego narre histórias que tentem distorcê-la.

    Ego

    O ego é a história que narramos para nossa própria psique. Essa narrativa pode ser verdadeira, falsa ou incompleta. Por exemplo, um trauma é uma história mal contada ou distorcida sobre nossa experiência. Compreender o ego é essencial para reescrever nossas histórias e nos reconectar com nossa essência.

    Consciência

    A consciência surge da tensão entre ego e psique. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, é o “núcleo mais secreto e sacrário do homem”, onde ele se encontra a sós com Deus. É o lugar onde ouvimos a verdade interior que nos guia para além das distorções do ego.

    Intuição

    A intuição é o “olhar para dentro”, uma voz interior que nos conduz às respostas que buscamos. Ela é fruto de nossa consciência e nos conecta à realidade e às verdades mais sublimes.

    Vikor Emil Frankl, psiquiatra austríaco sobrevivente do holocausto.

    Viktor Frankl, fundador da Logoterapia, destacou que o ser humano é o único capaz de decidir entre “descer ao nível dos animais ou se elevar ao nível de um santo”. Essa elevação não é meramente uma escolha moral, mas uma resposta às adversidades da vida.

    A espiritualidade desempenha um papel central aqui. Segundo o Salmo 8, “o homem foi criado quase igual aos anjos”. Assim como o peixe precisa do mar para viver, o ser humano encontra sua plenitude apenas no Criador. Essa relação é evidenciada pela busca constante de sentido e pela necessidade de pertencer a algo maior.

    Embora a psicologia analise os processos internos e relacione o ego à psique, a religião oferece o sentido último, apontando para Deus como causa primeira e fim último. Ambas são ferramentas poderosas para ajudar o ser humano a compreender sua condição de finitude e, ao mesmo tempo, sua capacidade de transcender.

    A integração desses saberes permite uma compreensão mais profunda da natureza humana, onde a cura não é apenas psicológica, mas também espiritual. Afinal, ser “santo” significa ser curado de todas as dores materiais, permanecendo em pé, mesmo diante das adversidade

    Referências Bibliográficas

    • Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 1776.

    • Frankl, V. E. (1984). Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Vozes.

    • Aristóteles. Metafísica. Várias edições.

    • Freud, S. (1917). Luto e melancolia. In: Obras Completas. Companhia das Letras.

    • Allers, R. (1933). A filosofia da vida interior. Loyola.

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