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Imagem de capa: atração e identificação de sintomas
LOGOTERAPIA

Tem gente que chama de atração o que, na verdade, é identificação de sintomas

Em um mundo em que as relações são frequentemente confundidas com paixões intensas e conexões instantâneas, muitas pessoas acreditam estar “atraídas” por alguém, quando, na verdade, estão revivendo algo inconsciente, familiar — um padrão que vem de feridas antigas. Este artigo convida à reflexão: será que o que sentimos como “química” não é, na verdade, um eco de dores não resolvidas?
Letícia Santana | 03.nov.2025 | Tempo de leitura: aproximadamente 10 minutos

O que realmente nos atrai no outro

Atração é uma palavra poderosa. Evoca emoção, desejo e curiosidade. Mas, do ponto de vista psicológico e logoterapêutico, nem sempre o que chamamos de “atração” é sinônimo de saúde emocional.

Muitas vezes, o que nos atrai é, inconscientemente, o que nos é familiar. Viktor Frankl, ao abordar o sentido da vida, nos lembra que nossas escolhas, inclusive amorosas, revelam muito sobre o nosso mundo interior e nossas buscas por significado.

Quando uma pessoa é atraída repetidamente por alguém que a faz sofrer — emocionalmente indisponível, controlador ou ausente — isso pode não ser “destino” ou “química”. Pode ser a identificação de sintomas, ou seja, dois inconscientes que se reconhecem em suas feridas e disfunções, tentando, sem perceber, reparar o que ficou mal resolvido no passado. Não há um verdadeiro propósito e um sentido para aquele relacionamento existir.

A familiaridade do sintoma

A identificação de sintomas é um fenômeno comum nas relações humanas. Trata-se de uma forma de repetir um padrão emocional ou relacional que nos é familiar, mesmo que disfuncional.

Pessoas que cresceram em lares onde o afeto era condicional, por exemplo, podem se sentir naturalmente atraídas por parceiros que só oferecem amor mediante esforço, repetindo o papel que aprenderam: o de merecer amor por meio da entrega e da dor.

Segundo a Logoterapia, o ser humano é livre para escolher suas atitudes diante das circunstâncias — mas, antes de escolher conscientemente, precisa tomar consciência de seus próprios condicionamentos. A identificação de sintomas é justamente o momento anterior à escolha consciente: é o terreno onde as repetições inconscientes dominam e o indivíduo ainda não encontrou o sentido mais profundo de suas relações.

Do sintoma à escolha com sentido

Reconhecer que o que sentimos pode ser uma repetição, e não uma atração genuína, é o primeiro passo para transformar nossas relações.

Frankl afirmava que o ser humano pode encontrar sentido em qualquer circunstância — inclusive no sofrimento. Quando compreendemos que nossa “atração” é, na verdade, uma tentativa de reparar algo antigo, podemos nos conscientizar da ferida e da dor e, então, escolher de forma mais saudável.

O autoconhecimento, portanto, é uma via de liberdade. Ao compreender a origem de nossas identificações, deixamos de ser guiados por impulsos automáticos e passamos a agir com propósito. Passamos a buscar relações onde haja reciprocidade, crescimento e autenticidade, e não apenas o conforto do familiar.

É nesse ponto que a Logoterapia se torna um caminho valioso: ela convida cada pessoa a olhar para dentro e descobrir qual é o sentido que busca nas relações, em vez de se deixar aprisionar por repetições inconscientes.

A atração saudável nasce da liberdade

Uma relação verdadeiramente saudável não nasce da identificação de sintomas, mas da liberdade de escolher o outro com consciência e afeto.

Quando o amor deixa de ser resposta a uma carência e passa a ser encontro entre duas pessoas inteiras, ele se torna construtivo, e não compulsivo.

A Logoterapia nos ensina que o amor é uma das formas mais elevadas de sentido, mas ele só floresce quando somos capazes de olhar para o outro não como quem nos completa, e sim como quem nos revela — e, ao mesmo tempo, nos convida a crescer.

Conclusão

O que chamamos de “atração” muitas vezes é o reflexo de feridas antigas que ainda pedem cura. Quando dois sintomas se identificam, nasce a ilusão de uma afinidade, mas, com o tempo, essa ligação mostra-se desgastante, porque é movida pela tentativa de preencher o vazio e não pela vontade genuína de compartilhar a vida.

A consciência liberta. E, como diria Viktor Frankl, “entre o estímulo e a resposta, existe um espaço — e nesse espaço está o nosso poder de escolher”.

É nesse espaço que o amor saudável nasce: no espaço entre o impulso e a escolha consciente.

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A Santosclín é a primeira clínica de Psicologia e Logoterapia do Vale do Paraíba, oferecendo um atendimento humanizado em psicoterapia e acessível para quem busca equilíbrio emocional, propósito de vida e autoconhecimento.

Na Santosclín, acreditamos que a transformação começa no interior de cada um. Se você busca um novo olhar sobre a vida, estamos aqui para caminhar com você!

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Referências Bibliográficas:

  • Frankl, V. E. Em busca de sentido: Um psicólogo no campo de concentração. Petrópolis: Vozes, 2003.
  • Frankl, V. E. A presença ignorada de Deus. Petrópolis: Vozes, 2011.
  • Freud, S. Recordar, repetir e elaborar. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas. 1914.
  • Yalom, I. D. O carrasco do amor e outras histórias sobre psicoterapia. Rio de Janeiro: HarperCollins, 2015.
  • Winnicott, D. W. O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.

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