Historicamente, o modelo de masculinidade hegemônica no Brasil e em diversas culturas ocidentais foi moldado sob valores como invulnerabilidade, autocontrole extremo, produtividade e negação do sofrimento. Essa estrutura simbólica, embora culturalmente difundida, tornou-se limitadora para muitos homens que desejam se conectar com sua dimensão emocional sem serem vistos como fracos ou inaptos.
No contexto atual, em que o suicídio masculino representa a maioria dos casos no Brasil e os números de transtornos mentais crescem entre jovens e adultos do sexo masculino, torna-se vital falar sobre autoconhecimento emocional.
A seguir, discutiremos como apoiar essa jornada através da logoterapia de Viktor Frankl, da psicologia do desenvolvimento humano e do olhar filosófico e teológico sobre a identidade masculina.
No Brasil, dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde de 2023 mostram que cerca de 76% das mortes por suicídio são de homens, especialmente entre 20 e 39 anos. Além disso, os números de homens diagnosticados com transtornos de ansiedade e depressão aumentaram em mais de 25% desde 2020.
Apesar disso, os homens ainda são minoria nas buscas por atendimento psicológico. Esse paradoxo aponta para um sofrimento silenciado e uma dificuldade estrutural de expressar emoções, fragilidades e desejos.
A logoterapia, criada por Viktor Frankl, é uma abordagem psicoterapêutica centrada na busca de sentido como eixo estruturante da vida humana. Para os homens, muitas vezes formados sob uma cultura de "fazer" e "produzir", a logoterapia convida a uma escuta mais profunda do "ser" e do "significar".
Na logoterapia, sofrimento, culpa e morte são compreendidos como dimensões humanas que, ao serem enfrentadas com coragem e responsabilidade, podem gerar transformação. Um homem que se pergunta: "Qual é o sentido do que estou vivendo?" dá um passo importante para sair do automatismo emocional e da anestesia afetiva.
A psicologia do desenvolvimento humano reconhece que o processo de construção da identidade masculina não é estático, mas atravessa fases marcadas por transformações cognitivas, afetivas e sociais. Desde a infância, meninos são incentivados a conter o choro, a "serem fortes" e a esconderem o medo.
Na adolescência, essa repressão emocional pode gerar dificuldades de socialização, agressividade e isolamento. Ajudar jovens a desenvolverem uma linguagem emocional rica, validar seus sentimentos e propor espaços seguros para escuta e expressão é um caminho de formação de masculinidades mais conscientes, empáticas e saudáveis.
A tradição filosófica, desde Sêneca a Kierkegaard, já alertava que o autoconhecimento é condição para uma vida com sentido. Na perspectiva existencialista, o homem que evita suas emoções foge também de sua liberdade.
Do ponto de vista teológico, a espiritualidade também pode ser um recurso potente para a reconciliação interna. A figura de Jesus, por exemplo, traz uma masculinidade compassiva, vulnerável e acolhedora, rompendo com os estereótipos de frieza ou rigidez. Muitos homens encontram na espiritualidade um caminho de escuta interior, arrependimento, responsabilidade e reconfiguração da identidade.
O autoconhecimento emocional não é privilégio de um gênero, mas um direito humano essencial para o bem-estar psíquico. Apoiar jovens e homens brasileiros nessa jornada é promover uma sociedade mais empática, responsável e afetiva. A psicologia, a logoterapia e os saberes filosóficos e teológicos são aliadas nessa missão de cuidar do que há de mais humano no homem: sua capacidade de sentir, sofrer e transformar.
A Santosclín é a primeira clínica de Psicologia e Logoterapia do Vale do Paraíba, oferecendo um atendimento humanizado em psicoterapia e acessível para quem busca equilíbrio emocional, propósito de vida e autoconhecimento.
Na Santosclín, acreditamos que a transformação começa no interior de cada um. Se você busca um novo olhar sobre a vida, estamos aqui para caminhar com você!
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