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Logoterapia e Autoconhecimento

Como apoiar jovens e homens na jornada de autoconhecimento emocional

A busca por autoconhecimento emocional tem ganhado espaço na vida de jovens e homens, mesmo em uma cultura que historicamente associou o masculino à razão, à força e à negação da vulnerabilidade. Hoje, com o aumento dos casos de ansiedade, depressão e crises de identidade entre o público masculino, torna-se urgente abrir espaços de acolhimento, reflexão e cuidado voltados à subjetividade do homem. Este artigo aborda como a logoterapia, a psicologia do desenvolvimento e perspectivas filosóficas e teológicas podem contribuir nesse processo de reconexão emocional, especialmente entre jovens e homens brasileiros.
Leticia Santana | 22.julho.2025 | Tempo de leitura: 10 minutos

Historicamente, o modelo de masculinidade hegemônica no Brasil e em diversas culturas ocidentais foi moldado sob valores como invulnerabilidade, autocontrole extremo, produtividade e negação do sofrimento. Essa estrutura simbólica, embora culturalmente difundida, tornou-se limitadora para muitos homens que desejam se conectar com sua dimensão emocional sem serem vistos como fracos ou inaptos.

No contexto atual, em que o suicídio masculino representa a maioria dos casos no Brasil e os números de transtornos mentais crescem entre jovens e adultos do sexo masculino, torna-se vital falar sobre autoconhecimento emocional.

A seguir, discutiremos como apoiar essa jornada através da logoterapia de Viktor Frankl, da psicologia do desenvolvimento humano e do olhar filosófico e teológico sobre a identidade masculina.

O desafio do autoconhecimento emocional masculino

No Brasil, dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde de 2023 mostram que cerca de 76% das mortes por suicídio são de homens, especialmente entre 20 e 39 anos. Além disso, os números de homens diagnosticados com transtornos de ansiedade e depressão aumentaram em mais de 25% desde 2020.

Apesar disso, os homens ainda são minoria nas buscas por atendimento psicológico. Esse paradoxo aponta para um sofrimento silenciado e uma dificuldade estrutural de expressar emoções, fragilidades e desejos.

Como a logoterapia contribui com o autoconhecimento masculino

A logoterapia, criada por Viktor Frankl, é uma abordagem psicoterapêutica centrada na busca de sentido como eixo estruturante da vida humana. Para os homens, muitas vezes formados sob uma cultura de "fazer" e "produzir", a logoterapia convida a uma escuta mais profunda do "ser" e do "significar".

Na logoterapia, sofrimento, culpa e morte são compreendidos como dimensões humanas que, ao serem enfrentadas com coragem e responsabilidade, podem gerar transformação. Um homem que se pergunta: "Qual é o sentido do que estou vivendo?" dá um passo importante para sair do automatismo emocional e da anestesia afetiva.

Psicologia do desenvolvimento e masculinidades saudáveis

A psicologia do desenvolvimento humano reconhece que o processo de construção da identidade masculina não é estático, mas atravessa fases marcadas por transformações cognitivas, afetivas e sociais. Desde a infância, meninos são incentivados a conter o choro, a "serem fortes" e a esconderem o medo.

Na adolescência, essa repressão emocional pode gerar dificuldades de socialização, agressividade e isolamento. Ajudar jovens a desenvolverem uma linguagem emocional rica, validar seus sentimentos e propor espaços seguros para escuta e expressão é um caminho de formação de masculinidades mais conscientes, empáticas e saudáveis.

Filosofia, teologia e a dimensão do cuidado masculino

A tradição filosófica, desde Sêneca a Kierkegaard, já alertava que o autoconhecimento é condição para uma vida com sentido. Na perspectiva existencialista, o homem que evita suas emoções foge também de sua liberdade.

Do ponto de vista teológico, a espiritualidade também pode ser um recurso potente para a reconciliação interna. A figura de Jesus, por exemplo, traz uma masculinidade compassiva, vulnerável e acolhedora, rompendo com os estereótipos de frieza ou rigidez. Muitos homens encontram na espiritualidade um caminho de escuta interior, arrependimento, responsabilidade e reconfiguração da identidade.

Como apoiar homens e jovens na prática

  1. Promover educação emocional desde a infância: Ensinar meninos a nomear emoções, acolher medos e expressar carinhos cria uma base sólida para a vida adulta.

  2. Quebrar tabus culturais: Campanhas, palestras e conteúdos que desmistifiquem a ligação entre emoções e fraqueza contribuem para reeducar o olhar social sobre o masculino.

  3. Estimular a espiritualidade e a reflexão existencial: Ajudar os homens a se reconectarem com seus valores, crenças e princípios pode oferecer propósito e direção.

Conclusão

O autoconhecimento emocional não é privilégio de um gênero, mas um direito humano essencial para o bem-estar psíquico. Apoiar jovens e homens brasileiros nessa jornada é promover uma sociedade mais empática, responsável e afetiva. A psicologia, a logoterapia e os saberes filosóficos e teológicos são aliadas nessa missão de cuidar do que há de mais humano no homem: sua capacidade de sentir, sofrer e transformar.

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A Santosclín é a primeira clínica de Psicologia e Logoterapia do Vale do Paraíba, oferecendo um atendimento humanizado em psicoterapia e acessível para quem busca equilíbrio emocional, propósito de vida e autoconhecimento.

Na Santosclín, acreditamos que a transformação começa no interior de cada um. Se você busca um novo olhar sobre a vida, estamos aqui para caminhar com você!

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Referências bibliográficas:

  • Frankl, V. E. (2008). Em busca de sentido. Petrópolis: Vozes.
  • Boff, L. (1999). Saber cuidar. Petrópolis: Vozes.
  • Kierkegaard, S. (2012). O desespero humano. São Paulo: Unesp.
  • Ministério da Saúde. (2023). Boletim Epidemiológico de Suicídio no Brasil.
  • Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). (2024). Pesquisa Nacional de Saúde.
  • Rocha-Coutinho, M. L. (2000). Gênero, emoção e cultura. Rio de Janeiro: Editora UFRJ.

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