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Logoterapia e Eco-ansiedade

Como ajudar adolescentes a lidar com a eco-ansiedade

A eco-ansiedade é uma realidade crescente entre adolescentes no mundo todo. Com a intensificação das mudanças climáticas e a ampla divulgação de notícias ambientais, muitos jovens manifestam sintomas de ansiedade, desesperança e medo em relação ao futuro do planeta. Este artigo tem como objetivo explicar o que é a eco-ansiedade, apresentar os dados mais recentes sobre essa síndrome e apontar como a psicologia pode ser uma aliada essencial no acolhimento e fortalecimento emocional de adolescentes frente à crise climática.
Leticia Santana | 22.julho.2025 | Tempo de leitura: 10 minutos

O aquecimento global, os desastres naturais e o aumento do consumo de conteúdo ambiental nas redes sociais têm provocado, em adolescentes, sentimentos profundos de impotência, medo e tristeza. Esse fenômeno tem nome: eco-ansiedade. Trata-se de um tipo de sofrimento psíquico que surge a partir da percepção constante de ameaça ao meio ambiente, levando o indivíduo a se preocupar excessivamente com o futuro ecológico da Terra.

Compreender a eco-ansiedade e saber como apoiar adolescentes afetados por ela é fundamental. Este artigo explora o conceito, revela dados recentes sobre sua prevalência e impacto, e propõe caminhos psicológicos de acolhimento e orientação baseados na logoterapia, na psicologia do desenvolvimento e na educação emocional.

O que é eco-ansiedade?

A eco-ansiedade (ou ansiedade ecológica) não é uma condição clínica formal segundo os manuais diagnósticos como o DSM-5 ou a CID-11, mas é reconhecida por profissionais de saúde mental como uma reação emocional válida e comum diante das ameaças ambientais.

Caracteriza-se por preocupação excessiva com mudanças climáticas, degradação ambiental, aumento de desastres naturais e incertezas sobre o futuro da vida no planeta. Os sintomas mais comuns incluem insônia, irritabilidade, crises de choro, sentimento de culpa por consumir produtos que impactam o meio ambiente, desesperança, angústia e, em casos mais graves, distanciamento social ou comportamento depressivo.

Dados atuais sobre eco-ansiedade em adolescentes

Um levantamento global publicado pela revista The Lancet em 2021 revelou que 59% dos jovens entre 16 e 25 anos se declararam muito ou extremamente preocupados com as mudanças climáticas. No Brasil, essa taxa foi ainda mais alta: 75% dos jovens expressaram sofrimento emocional relacionado ao futuro ambiental do país.

Em 2024, a American Psychological Association (APA) divulgou um novo estudo indicando que adolescentes já representam o grupo mais impactado pela eco-ansiedade. Segundo o relatório, a exposição a notícias sobre desastres ambientais está diretamente ligada ao aumento de sintomas de ansiedade generalizada e depressão entre jovens.

Esses dados evidenciam que não se trata de um fenômeno passageiro, mas de um desafio de saúde mental que merece atenção e cuidado, especialmente na adolescência, fase marcada por intensas transformações biológicas, cognitivas e existenciais.

Como a psicologia pode ajudar adolescentes com eco-ansiedade?

  1. Acolhimento e validação emocional: O primeiro passo é escutar o adolescente com empatia, sem desqualificar seus medos. Validar que a angústia diante do futuro é compreensível é essencial para criar um espaço seguro de escuta.

  2. Desenvolvimento do senso de propósito (Logoterapia): A logoterapia, abordagem criada por Viktor Frankl, pode oferecer ferramentas poderosas para lidar com a eco-ansiedade. Ao ajudar o jovem a encontrar sentido em suas ações e no seu modo de se relacionar com o mundo, promovemos fortalecimento emocional. Atitudes simples, como participar de projetos ecológicos, plantar árvores ou reduzir o consumo de plásticos, podem alimentar o sentimento de que se está contribuindo com um futuro melhor.

  3. Educação emocional: Trabalhar as emoções e nomear os sentimentos é uma forma de ampliar a consciência sobre os impactos internos das notícias ambientais. Grupos terapêuticos, oficinas de expressão emocional e atividades artísticas podem ser grandes aliados.

  4. Criação de rotinas saudáveis e limite de exposição midiática: O excesso de notícias negativas contribui para o agravamento da eco-ansiedade. Orientar os adolescentes a equilibrar informação com descanso mental é vital. Reduzir o tempo em redes sociais, buscar conteúdos inspiradores e cultivar rotinas positivas podem reduzir os sintomas.

  5. Psicoterapia: Acompanhamento psicológico individual ou em grupo permite que o adolescente elabore seus medos, encontre suporte e construa respostas criativas diante da crise ambiental.

Conclusão

A eco-ansiedade é um sinal de consciência e empatia dos adolescentes frente à realidade ambiental, mas também uma demanda urgente de acolhimento e orientação. A psicologia, especialmente a logoterapia, pode transformar o medo em propósito, a angústia em ação e o sofrimento em um caminho de amadurecimento e consciência coletiva. É papel de pais, escolas e profissionais da saúde mental caminhar lado a lado com os jovens, ajudando-os a cuidar da mente e do planeta.

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Referências bibliográficas:

  • Hickman, C. et al. (2021). Climate anxiety in children and young people and their beliefs about government responses to climate change: a global survey. The Lancet Planetary Health.
  • American Psychological Association. (2024). Mental health and climate: Impacts on youth and adolescents.
  • Frankl, V. E. (2008). Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Petrópolis: Vozes.
  • Clayton, S. et al. (2017). Mental Health and Our Changing Climate: Impacts, Implications, and Guidance. APA & ecoAmerica.
  • Organização Mundial da Saúde (OMS). (2022). Climate change and mental health.

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