Na Grécia antiga, Sócrates praticava algo que, sem exagero, podemos chamar de “primeira terapia”: o método maiêutico. Ele fazia perguntas, devolvia reflexões e ajudava a pessoa a extrair a verdade que já estava dentro dela. Não havia manuais, não havia diagnósticos, mas havia algo que hoje, mais do que nunca, é essencial: escuta e diálogo profundo.
E se avançarmos um pouco na história, veremos que o modelo “alguém fala, alguém escuta e orienta” se repete na confissão católica. O fiel se abre, expõe dores, pecados e angústias, e o padre escuta e aconselha. Esse ambiente de acolhimento foi um dos precursores do que hoje chamamos de setting terapêutico.
Ou seja, muito antes de Freud, já existia psicologia – ainda que não com esse nome.
Sigmund Freud (1856–1939) foi, sem dúvida, um marco. Não porque inventou a psicologia, mas porque deu forma a um método que ganhou força no mundo ocidental.
Freud observava pacientes, principalmente mulheres histéricas, e percebia que sintomas físicos muitas vezes não tinham explicação orgânica. Ele começou a investigar o inconsciente através de sonhos, lapsos e associações livres. Para Freud, nada ocorre ao acaso – nossos atos mais banais revelam desejos reprimidos.
Ele também afirmava que a motivação humana fundamental era a libido, uma energia sexual e agressiva que moldava nossos impulsos.
“A cura não está no analista. Está no paciente. O terapeuta apenas ajuda a extrair essa verdade.”
Esse ponto será essencial para entendermos Viktor Frankl mais à frente.
Depois de Freud, outros grandes nomes ampliaram – e discordaram – de suas ideias.
Carl Jung (1875–1961) começou como discípulo fiel, mas rompeu com Freud quando percebeu que a libido não explicava tudo. Jung trouxe conceitos mais simbólicos e espirituais: persona, sombra, arquétipos, inconsciente coletivo. Para ele, a jornada do ser humano é a individuação, integrar consciente e inconsciente para se tornar pleno.
Já Alfred Adler (1870–1937) olhou para outra direção. Enquanto Freud via o prazer como centro, Adler via o poder como motivação humana. Ele falava do complexo de inferioridade – todos nós, de alguma forma, buscamos superar limitações para conquistar valor.
Frankl, mais tarde, reconheceria que subiu “nos ombros de gigantes” – e esses gigantes eram justamente Freud e Adler.
Avançando para o século XX, encontramos Jean-Paul Sartre (1905–1980), filósofo que trouxe uma virada existencial: “a existência precede a essência”. Para Sartre, não nascemos com um destino fixo; vamos construindo nossa essência pelas escolhas que fazemos.
Essa linha deu origem à fenomenologia existencial, que busca olhar os fenômenos como se apresentam à consciência, sem pré-julgamentos.
Carl Rogers (1902–1987) cria a Abordagem Centrada na Pessoa (ACP). Ele acreditava que dentro de cada pessoa existe uma força natural para crescer – a tendência atualizante.
O terapeuta, para Rogers, não deveria dirigir, mas criar um ambiente de empatia e aceitação para que o paciente se desenvolva. Ele chamava paciente de “cliente”, algo que Harisson critica:
“Eu não quero que o paciente seja cliente que volta sempre. Eu quero que ele se cure e siga a vida.”
Ainda assim, Rogers resgatou algo essencial: a confiança no potencial do ser humano.
E então chegamos a Viktor Frankl (1905–1997). Sobrevivente de quatro campos de concentração nazistas, Frankl viveu na pele o que nenhuma teoria explicava.
No campo, não havia prazer (Freud). Não havia poder (Adler). E, ainda assim, alguns sobreviviam. Por quê? Porque tinham um sentido.
Frankl percebeu um padrão: quando os prisioneiros perdiam o porquê, desistiam. Alguns fumavam seu último cigarro como sinal de que haviam abandonado a esperança – e no dia seguinte, morriam. Mas quem tinha uma obra inacabada – um filho esperando, um livro por escrever – encontrava força para resistir.
Daí nasce a Logoterapia: cura pelo sentido.
Frankl mostrou que o ser humano pode viver sem prazer e sem poder, mas nunca sem sentido.
Mais adiante, surgem abordagens focadas em aspectos práticos.
Aaron Beck (1921–2021) cria a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), mostrando que pensamentos disfuncionais geram comportamentos disfuncionais. A TCC é de curto prazo, muito eficaz para problemas específicos.
Depois, Jeffrey Young desenvolve a Terapia do Esquema, integrando elementos da TCC para trabalhar padrões de comportamento mais profundos.
Outras abordagens incluem a Gestalt-Terapia, focada no “aqui e agora”, e o Psicodrama, criado por Jacob Levy Moreno, que mistura teatro e psicologia para acessar traumas de forma criativa.
No campo das virtudes, Martin Seligman (1942–) propõe a Psicologia Positiva, que busca identificar forças de caráter e promover bem-estar.
Já a Psicologia Transpessoal integra meditação, espiritualidade e até física quântica, propondo acessar dimensões mais elevadas da consciência.
Por fim, Harisson lembra da Psicologia Tomista, baseada em Santo Tomás de Aquino. Ela não é uma técnica, mas uma antropologia filosófica que busca ordenar as paixões pela razão e cultivar virtudes para restaurar o ser humano à sua essência original.
Harisson encerra com uma reflexão sobre a própria palavra.
Psicologia, então, não é só “estudo da mente”. É o sopro da vida com sentido.
Não se trata apenas de aliviar sintomas. É sobre encontrar o que é único, irrepetível, profundamente humano.
“A psicologia precisa de pessoas corajosas, que queiram estudar o homem em sua profundidade, não só em seus sintomas.”
A Santosclín é a primeira clínica de Psicologia e Logoterapia do Vale do Paraíba, oferecendo um atendimento humanizado em psicoterapia e acessível para quem busca equilíbrio emocional, propósito de vida e autoconhecimento.
Na Santosclín, acreditamos que a transformação começa no interior de cada um. Se você busca um novo olhar sobre a vida, estamos aqui para caminhar com você!
Visite nosso site