Muitos pacientes iniciam o processo terapêutico com o desejo sincero de mudança, cura ou autoconhecimento. No entanto, à medida que a psicoterapia avança, surgem resistências sutis. É nesse ponto que ocorre o que chamamos de fuga na psicoterapia. Essa fuga pode assumir várias formas: a banalização dos temas profundos, a superficialidade nas reflexões, a racionalização excessiva, a transferência da responsabilidade para os outros, entre outros mecanismos.
Viktor Frankl, criador da logoterapia, enfatizava a responsabilidade pessoal como uma das dimensões essenciais da existência humana. Para ele, não somos livres das condições em que vivemos, mas somos sempre livres para escolher nossas atitudes diante delas. Fugir da psicoterapia é, em muitos casos, negar essa liberdade e a consequente responsabilidade que ela impõe.
Um dos sinais clássicos de fuga na psicoterapia é a insistência em falar apenas de terceiros: "meu parceiro não me entende", "meu chefe é injusto", "meus pais me prejudicaram". Embora as experiências com o outro sejam importantes e muitas vezes fonte de sofrimento legítimo, a psicoterapia exige uma virada de olhar: da culpa para fora, para a responsabilidade interna.
Outra forma comum de fuga é a idealização do terapeuta como aquele que tem todas as respostas. Essa postura infantiliza o paciente e impede o desenvolvimento de sua autonomia existencial. Em vez de assumir sua própria construção de sentido, o paciente transfere a tarefa ao terapeuta, esperando soluções prontas para dilemas profundos.
A logoterapia, com seu foco no sentido e na liberdade de escolha, desafia o paciente a se responsabilizar pela própria vida. Fugir da psicoterapia, portanto, é também fugir de si mesmo. É evitar o enfrentamento de questões como: Qual é o meu papel nessa situação? O que posso fazer com aquilo que me aconteceu? Que atitude posso tomar diante dessa dor?
Outro mecanismo de fuga é a eternização do vínculo terapêutico sem evolução efetiva. Pacientes que mantêm anos de terapia sem enfrentar efetivamente seus dilemas existenciais, utilizando o espaço como um refúgio, não como um campo de transformação, também estão fugindo da responsabilidade de se reinventarem. A psicoterapia não deve ser um porto definitivo, mas um trampolim para a vida.
Importante destacar que essas fugas não devem ser vistas com julgamento ou rigidez. Elas revelam os mecanismos de defesa que o psiquismo utiliza para proteger-se da dor. O papel do terapeuta, especialmente aquele que atua com base na logoterapia, é acolher essa resistência e ajudar o paciente a encontrar coragem para atravessar a dor em busca de sentido.
A fuga na psicoterapia é um fenômeno mais comum do que se imagina. Mesmo presentes fisicamente, podemos estar ausentes emocionalmente do processo terapêutico. Identificar e acolher esses movimentos de fuga é essencial para que a psicoterapia cumpra sua função transformadora. A logoterapia, ao convidar o paciente a assumir a responsabilidade por sua existência e buscar sentido mesmo diante da dor, oferece um caminho profundo e libertador. Fugir da responsabilidade de ser pode ser compreensível, mas não precisa ser um destino.
A Santosclín é a primeira clínica de Psicologia e Logoterapia do Vale do Paraíba, oferecendo um atendimento humanizado em psicoterapia e acessível para quem busca equilíbrio emocional, propósito de vida e autoconhecimento.
Na Santosclín, acreditamos que a transformação começa no interior de cada um. Se você busca um novo olhar sobre a vida, estamos aqui para caminhar com você!
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