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VIKTOR FRANKL E LOGOTERAPIA

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Viktor Frankl e a vontade de sentido: A biografia que moldou a Logoterapia

Poucos nomes na história da psicologia carregam uma força existencial tão poderosa quanto o de Viktor Emil Frankl. Para alguns, ele é o autor do livro Em Busca de Sentido, lido por milhões de pessoas em dezenas de idiomas. Para outros, é o fundador da Logoterapia — a chamada “terceira escola vienense de psicoterapia”, depois de Freud e Adler. Mas para quem realmente se aprofunda em sua história, Viktor Frankl é muito mais que isso: é um homem que atravessou o inferno e voltou com um mapa da alma humana nas mãos.

O que Frankl descobriu entre as câmaras de gás, a fome, a dor e a perda foi algo que nenhuma teoria psicológica antes dele ousou afirmar com tanta clareza: que o ser humano pode perder tudo, exceto sua liberdade interior. E essa liberdade é o que nos permite encontrar sentido, mesmo — e principalmente — nas situações mais absurdas e trágicas da vida.

Harisson Santos

24.junho.2025 | Tempo de leitura: 15 minutos

VIKTOR FRANKL E LOGOTERAPIA

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Viktor Frankl e a vontade de sentido: A biografia que moldou a Logoterapia

Poucos nomes na história da psicologia carregam uma força existencial tão poderosa quanto o de Viktor Emil Frankl. Para alguns, ele é o autor do livro Em Busca de Sentido, lido por milhões de pessoas em dezenas de idiomas. Para outros, é o fundador da Logoterapia — a chamada “terceira escola vienense de psicoterapia”, depois de Freud e Adler. Mas para quem realmente se aprofunda em sua história, Viktor Frankl é muito mais que isso: é um homem que atravessou o inferno e voltou com um mapa da alma humana nas mãos.

O que Frankl descobriu entre as câmaras de gás, a fome, a dor e a perda foi algo que nenhuma teoria psicológica antes dele ousou afirmar com tanta clareza: que o ser humano pode perder tudo, exceto sua liberdade interior. E essa liberdade é o que nos permite encontrar sentido, mesmo — e principalmente — nas situações mais absurdas e trágicas da vida.

Harisson Santos

24.junho.2025 | Tempo de leitura: 15 minutos

A inquietação precoce de um menino vienense

Frankl nasceu em Viena, em 1905, em uma família judaica. Desde muito pequeno, questionava a existência. Aos quatro anos, após sonhar com a morte, começou a se perguntar sobre o sentido da vida. Não era um questionamento qualquer — era visceral, como se o menino sentisse que algo muito maior o chamava.

Aos treze anos, teve uma aula de química em que o professor declarou: “a vida humana não passa de combustão e oxidação.” Aquilo o abalou. Como assim? A vida é só isso? Inconformado, questionou o professor: “Mas qual é o sentido da vida, então?” — e não obteve resposta. Talvez nem houvesse uma, ainda.

Mas a faísca havia sido acesa. Aos 15 anos, Frankl fez sua primeira conferência pública, sobre o sentido da vida e o suprassentido. Enquanto outros adolescentes brincavam nas ruas, ele já buscava respostas para as perguntas que sustentariam toda a sua obra.

Médico, neurologista, psiquiatra — e existencialista

Com 25 anos, formou-se em medicina. Aos 31, já acumulava duas especializações: neurologia e psiquiatria. Era reconhecido em Viena por seu trabalho com pacientes em sofrimento profundo, principalmente jovens com tendências suicidas. A ele, não bastava oferecer diagnósticos: era necessário olhar para o ser humano inteiro.

Frankl entendia que os seres humanos não querem apenas estar bem. Eles querem um porquê. E sem esse porquê, nem a melhor técnica psicológica dá conta do vazio existencial.

Quando a vida convoca: o dilema do visto americano

Em 1941, com a ascensão do nazismo, Frankl recebeu um visto para emigrar aos Estados Unidos. Ele e sua esposa, Tilly, poderiam escapar da perseguição antissemita e recomeçar uma vida segura no exterior. Mais do que isso: a Logoterapia, já teorizada por ele, poderia ser levada ao mundo em paz.

Mas duas coisas o impediram de ir. A primeira foi um sonho: ele viu uma fila de pacientes psicóticos sendo levados à câmara de gás. Sentiu-se chamado a permanecer e cuidar dessas vidas vulneráveis. A segunda foi uma experiência espiritual. Rezando na Catedral de Santo Estêvão, encontrou uma pedra de mármore com a inscrição do quarto mandamento: “Honra teu pai e tua mãe para que teus dias se prolonguem sobre a terra.”

Frankl entendeu. Seu lugar era com os seus. Ele ficaria.

Viktor Emil Frankl aos 25 anos

O inferno de Auschwitz — e o nascimento de uma psicologia do sentido

Em 1942, Viktor e Tilly foram capturados e deportados para campos de concentração. No total, ele passou por quatro. Sua esposa foi obrigada a abortar para que pudesse ser enviada, já que grávidas não eram aceitas. Ela morreria pouco depois, assim como os pais de Frankl.

No campo, Viktor tornou-se apenas o número 119104. Seus cabelos foram raspados, suas roupas arrancadas, seu nome apagado. E foi ali, no fundo do poço da humanidade, que sua teoria foi posta à prova.

Frankl descreve que fez um pacto consigo mesmo: “nós não iremos ao fio” — expressão usada para descrever o ato de se jogar nas cercas elétricas e tirar a própria vida. Enquanto muitos companheiros se entregavam, ele resistia.

Mas resistia como? Com sentido.

Ele não perguntava aos colegas “Você acha que vai sobreviver?”. Em vez disso, perguntava: “O que te espera do lado de fora?” Um filho, uma esposa, um livro a ser escrito, uma vocação inacabada. Frankl ajudava seus companheiros a se ancorarem numa obra não terminada — aquilo que ainda precisavam realizar. E é nesse momento que a Logoterapia se confirma como uma psicologia viva.

O amor é mais forte que a morte

Uma das experiências mais comoventes vividas por Frankl nos campos foi a lembrança de sua esposa. Sem saber se Tilly estava viva ou morta, ele a sentia. Sentia seu cheiro, seu calor, sua pele. Entrava em contemplação e dizia: “Ela pode estar morta, mas nada me impede de amá-la. Porque o amor é forte como a morte.”

Essa frase, retirada do Cântico dos Cânticos, tornou-se um símbolo para ele. Frankl compreendeu que o amor verdadeiro não depende da presença física. Ele permanece como selo no coração. E por isso, mesmo no vazio, havia plenitude.

Viktor Frankl com sua primeira esposa, Tilly

Freud, Adler e o terceiro caminho

Enquanto Freud acreditava que a motivação humana era o prazer, e Adler afirmava que era o poder, Frankl mostrou ao mundo um terceiro caminho: o sentido. No campo de concentração, não havia prazer. Também não havia poder. Mas os que encontravam sentido conseguiam viver — ou morrer — de maneira mais íntegra.

A Logoterapia, assim, nasceu como uma resposta viva à dor: é possível suportar qualquer sofrimento, desde que ele tenha um significado.

A liberdade interior: “você pode escolher a sua resposta”

Frankl identificou dois tipos de pessoas indo para a morte: os que blasfemavam, xingavam e amaldiçoavam, e os que rezavam, olhavam para o alto e morriam com dignidade. Essa diferença, dizia ele, não estava no contexto — que era o mesmo para todos — mas na liberdade interior.

Essa liberdade de escolher a atitude diante da dor é, para Frankl, a última das liberdades humanas. E ninguém pode tirá-la de nós.

A promessa a Tilly e a publicação do legado

Quando foi libertado, Frankl descobriu que seus pais e Tilly haviam morrido. Foi tomado por uma depressão profunda e cogitou o suicídio. Mas um amigo o lembrou da promessa que fizera à esposa: “Se sair vivo, publique seu livro.”

Frankl honrou a promessa. Em Busca de Sentido foi lançado, inicialmente com títulos pouco comerciais, mas depois alcançou o mundo. Mais de 10 milhões de cópias foram vendidas. Em sua vida, escreveu 33 livros e influenciou gerações de terapeutas.

Por que a Logoterapia é insubstituível

Frankl dizia que “o paciente é quem se cura”. O papel do terapeuta é ajudar a encontrar a verdade que está no outro, por meio de uma escuta profunda e de uma presença autêntica. E isso, segundo Harisson Santos, é insubstituível. Nem a inteligência artificial, com todas as suas ferramentas, é capaz de realizar um verdadeiro encontro de existências.

A Logoterapia não é apenas um conjunto de técnicas — é uma atitude. Uma ética diante da vida. Um chamado à responsabilidade. Um convite à transcendência.

O sentido da vida de Viktor Frankl

Perguntaram a Frankl certa vez: “E qual é o sentido da sua vida?”

Ele respondeu: “Ajudar os outros a encontrar o sentido da vida deles.”

Essa resposta é, talvez, o melhor resumo de quem ele foi. Um homem que perdeu tudo — família, identidade, futuro — e que devolveu ao mundo uma herança de sentido, de liberdade e de fé na dignidade humana.

Conheça a Santosclín

A Santosclín é a primeira clínica de Psicologia e Logoterapia do Vale do Paraíba, oferecendo um atendimento humanizado em psicoterapia e acessível para quem busca equilíbrio emocional, propósito de vida e autoconhecimento. Nossa missão é diminuir o índice de ansiedade e depressão da cidade em que atuamos, proporcionando um espaço acolhedor onde cada pessoa possa encontrar sentido para sua existência.

Na Santosclín, acreditamos que a transformação começa no interior de cada um. Se você busca um novo olhar sobre a vida, estamos aqui para caminhar com você!

Referências bibliográficas:

    • Frankl, V. E. Em busca de sentido. Vozes, 2008.
    • Frankl, V. E. A presença ignorada de Deus. Vozes, 2012.
    • Frankl, V. E. Psicoterapia e sentido da vida. Paulus, 2016.
    • Santos, H. Aula Logopráxis #01: Vida e Obra de Viktor Frankl (2025).
    • Giongo, C. Logoterapia: fundamentos e aplicações. Paulus, 2014

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