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DEPENDÊNCIA QUÍMICA

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Dependência Química e a Logoterapia

A logoterapia tem o propósito de auxiliar o homem na caminhada ao encontro do seu íntimo mais profundo; O sentido da vida. Esse olhar traz um tratamento singular para dependência química. Neste artigo veremos essa relação.

Letícia Santana

16.Jan.2025 | Tempo de leitura: 7 minutos

DEPENDÊNCIA QUÍMICA

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Dependência Química e a Logoterapia

A logoterapia tem o propósito de auxiliar o homem na caminhada ao encontro do seu íntimo mais profundo; O sentido da vida. Esse olhar traz um tratamento singular para dependência química. Neste artigo veremos essa relação.

Letícia Santana

16.Jan.2025 | Tempo de leitura: 7 minutos

A dependência química é reconhecida pela OMS como um problema crônico e progressivo na vida de uma pessoa e que tem tido uma enorme crescente nos últimos tempos.

Várias abordagens podem ser realizadas a fim de resgatar o indivíduo da fase ativa da dependência, ou mesmo apoiá-lo em sua abstinência.

Neste artigo falaremos da perspectiva da Logoterapia no tratamento desta doença que tem sido fonte de desesperança, vazio existencial e perda de sentido da vida.

Começamos trazendo à luz o que é a dependência química e podemos dizer que se trata de um transtorno bioquímico e psicológico em que uma pessoa não consegue mais viver e encarar a vida cotidiana sem o uso de substâncias psicoativas. Toda vida social, intelectual e espiritual da pessoa é submetida a ação da droga no organismo. Quando essa situação, em grande ou pequena escala é presente na vida de alguém, enquadramos a pessoa como dependente químico.

A dependência química tem sua fonte multifatorial e devemos levar em conta a cultura, a genética, as crenças e o momento sócio-histórico em que a pessoa e sua família estão inseridas.

Vikor Emil Frankl, psiquiatra austríaco sobrevivente do holocausto.

Dentro da Logoterapia construímos as âncoras em que a pessoa se alicerça para conseguir ter sentido em sua vida e buscar viver dentro de seus valores.

 O que acontece é que em diversos casos, para não dizer a maioria, os adictos (pessoas com dependência química) se entregam a doença ou iniciam-na baseado em uma fuga da realidade, onde não encontram mais o sentido de manterem-se sóbrios e buscarem uma vida cheia de significados bons.

O cérebro do adicto é inundado por neurotransmissores que trabalham com a necessidade de prazer imediato e o cérebro já não consegue mais recorrer aos seus funcionamentos normais.  Você já se perguntou por que algumas pessoas experimentam a droga ou o álcool e não se tornam dependentes? A resposta para isso é multifatorial (tem vários fatores) e um deles é a hereditariedade genética, sendo simplista podemos dizer que uma pessoa que possua a sua genética tendenciosa ao vício, com apenas uma pequena quantidade da droga o gene é ativado e desencadeia a dependência química, enquanto outra pessoa que não possui essa carga genética não desenvolve essa dependência pela substância.

Vale ressaltar que essa genética não é fatalista e nem uma condição determinante de modo de vida, não deve-se olhar para essa informação como uma resposta ao problema em si, já que há formas de não ativar esse gene no organismo (que é não consumir a substância que causa a dependência), mas deve-se olhar como uma informação que soma na construção de uma realidade de vida.

Dentro da psique de um adicto (pessoa dependente de droga) lidamos com o vazio existencial e a falta de sentido. Como foi citado na revista Educafoco:  Vazio existencial é “um sentimento de inutilidade existencial extrema, caracterizado pelo fato de que, para a pessoa, a vida perde sua graça, seu sentido; este sofrimento produz angústia”. (GOMES, 1988, pg132).

É um quadro intenso, pesado e que não há como caminhar só. Na Logoterapia buscamos levar o paciente de volta aos seus valores, encontrar seu sentido de vida, mostrando que mesmo em meio ao sofrimento há vida, há possibilidade de um resgate de si mesmo dentro das adversidades e que inclusive, por causa delas torna-se possível experimentar e experienciar situações que levam ao crescimento pessoal e amadurecimento.

Isso não quer dizer que a pessoa deve ser autocentrada, até porque dentro da Logoterapia tem-se a visão de transcendência (sair de si para fora) ou seja, deve-se olhar para além de si mesmo e buscar  o que ainda está saudável no homem, sob a luz do conceito de que o sofrimento é parte da vida e não uma situação trágica particular.

Para além de ferramentas e formas de modelar aquele comportamento, trabalhamos com a missão e a visão de resgatar os sentidos ou criá-los para que a pessoa possa se ver como um todo, relembrando suas potencialidades que a mantém viva e direcionando essas potencialidades como somatória de forças para levar o adicto a uma reconstrução de si mesmo.

O processo de resgate de quem se é não é fácil e é permeado por construções e reconstruções sobre quem se é e só acontece mediante a uma decisão.

Parafraseando Frankl (2020), podemos dizer que o homem é a somatória de suas decisões e entregar-se ao vazio existencial, ou ao fundo do poço (digamos assim) é uma decisão pessoal.

A dependência química é uma condição, não uma determinação do modo de viver. Há formas de lidar com ela, de não viver dentro dela e é a isso que nos propomos a fazer. O Logoterapeuta busca ser o auxílio para o reencontro do sentido de ser quem se é e da vida em uma pessoa.

Referências Bibliográficas

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